Taxas recuam pela terceira sessão seguida com alívio no petróleo e no dólar após falas de Donald Trump enquanto mercado eleva apostas em corte de 0,50 ponto na Selic
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SÃO PAULO, 1 Abr (Reuters) – As taxas dos DIs fecharam a quarta-feira em baixa, pela terceira sessão consecutiva, com o mercado dando continuidade ao processo de retirada de prêmios da curva brasileira em meio à expectativa de que EUA e Irã possam encerrar a guerra em breve.
Com o movimento do dia, os investidores voltaram a enxergar chances um pouco maiores de o Banco Central cortar a Selic em 50 pontos-base no fim do mês.
Com o dólar em queda ante o real e os preços do petróleo em baixa no exterior, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,7% no fim da tarde, com recuo de 7 pontos-base ante o ajuste de 13,77% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,835%, com retração de 6 pontos-base ante 13,892%.
Nesta quarta-feira, Trump afirmou à Reuters que o país encerrará a guerra contra o Irã em breve e que poderá retornar para ‘ataques pontuais’, se necessário. Em uma publicação na sua rede Truth Social, ele também afirmou que o novo líder do Irã pediu um cessar-fogo.
Os comentários de Trump, que na noite desta quarta-feira fará um pronunciamento à nação sobre a guerra, animaram investidores ao redor do mundo, ainda que o Irã tenha voltado a rebater o norte-americano, afirmando que é falsa e sem fundamento a alegação de que Teerã solicitou um cessar-fogo.
Ainda que o cenário siga nebuloso, investidores se apegaram à possibilidade de fim da guerra e, em especial, de reabertura do Estreito de Ormuz ao transporte, o que fez o barril do petróleo tipo Brent ceder para perto dos US$101.
No Brasil, o otimismo se traduziu no recuo do dólar ante o real e na baixa — ainda que limitada — das taxas dos DIs.
“Estamos vendo o petróleo flertando com a barreira dos US$100 para baixo, repercutindo as falas do Trump, e há uma expectativa de que se confirme uma negociação para finalizar a guerra”, comentou durante a tarde Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez.
“Isso faz o mercado resgatar o apetite ao risco. Toda a curva está respondendo, o dólar está respondendo”, acrescentou.
Pela manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas à ‘guerra do seu Trump e do seu Netanyahu’ — numa referência ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu — e disse que não deixará o conflito afetar os preços no país.
Porém, pressionada pelo cenário internacional, a Petrobras elevou o preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) em cerca de 55% para as distribuidoras em abril. Os ajustes do QAV ocorrem todo início de mês, conforme previsto em contratos.
Em comunicado durante a tarde, a Petrobras informou que permitirá que as distribuidoras parcelem este aumento, em uma medida que também poderá ser adotada em maio e junho, para minimizar o impacto.
A disparada recente dos preços do petróleo, com impacto sobre o custo dos combustíveis no Brasil, vinha dando força à leitura de que o Banco Central não terá espaço para acelerar o ciclo de cortes da Selic no fim de abril.
Nesta quarta-feira, no entanto, a expectativa de um acordo para o fim da guerra fez o mercado elevar um pouco as apostas de corte de 50 pontos.
“Ontem havia uma certeza de que haveria um corte de 25 pontos-base. E hoje já começam a surgir outros cenários. Se a guerra for resolvida, com o petróleo chegando a US$90, podemos até falar em corte de 50 pontos-base”, comentou Tavares.
Durante a tarde desta quarta-feira, as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 48% de probabilidade de corte de 25 pontos-base, 29% de chance de redução de 50 pontos-base e 16% de possibilidade de manutenção da Selic em 14,75%.
Na sexta-feira passada, conforme dados consolidados da B3, eram 43,50% para corte de 25 pontos-base, 28,50% para manutenção e 19,50% para redução de 50 pontos-base.
Na prática, cresceu entre os investidores a percepção de que o corte da Selic pode ser maior que 25 pontos-base, ainda que as apostas nesse valor sigam majoritárias.
No exterior, a busca por ativos de risco deu força à venda de Treasuries ao longo do dia, o que colocou os rendimentos dos títulos em alta. Às 16h34, o rendimento do Treasury de dez anos — referência global para decisões de investimento — subia 2 pontos-base, a 4,332%.
Veja como estavam as taxas dos principais contratos de DI no fim da tarde desta quarta-feira:
Mês Ticker Taxa Ajuste Variação
(% anterior (p.p.)
a.a.) (% a.a.)
JAN/27 14,025 14,072 -0,047
JAN/28 13,7 13,77 -0,07
JAN/29 13,655 13,721 -0,066
JAN/30 13,715 13,783 -0,068
JAN/31 13,775 13,838 -0,063
JAN/35 13,835 13,892 -0,057
(Edição de Isabel Versiani)
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