8 de fevereiro de 2026

​Leapmotor será a montadora que pode ameaçar o reinado da BYD no Brasil? 

A disputa não passa só por um fator, e isso ajuda a entender como funciona o mercado de carros elétricos
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Quando o assunto é escolher um carro elétrico, as mesmas dúvidas costumam passar pela cabeça de quem já tem um e quem está pensando em entrar nesse mercado: em qual montadora dá para confiar? No que mais devo prestar atenção além da ficha técnica do veículo?

No Brasil, a liderança da BYD nesse mercado se firmou em pouco tempo. Dados da Fenabrave indicam que a montadora respondeu por cerca de 74% das vendas de veículos 100% elétricos no país em 2025, um patamar incomum mesmo em polos mais desenvolvidos.

O anúncio da produção local na Bahia e a ampliação da rede de vendas também reforçam a marca junto ao público. Para o consumidor, esses movimentos costumam pesar tanto quanto preço ou tecnologia, ao sinalizar continuidade e compromisso com o pós-venda.

Porém, nos últimos meses, o nome da Leapmotor passou a aparecer com mais frequência no noticiário automotivo. Mais jovem, menos conhecida do público brasileiro e apoiada pela Stellantis (dona da Fiat, Peugeot, Jeep e Citroën), a marca chega cercada de comparações e de uma pergunta inevitável: será que ela é uma ameaça ao domínio da BYD?

Como a operação da Leapmotor é muito recente por aqui, ainda não tem como saber o que vai fazer uma ou outra marca preferida, ou mesmo se ambas vão encontrar seu próprio espaço no mercado sem necessariamente se excluírem. Mas por enquanto, o consumidor pode ficar de olho em alguns aspectos que fazem diferença nesse contexto e que ajudam a avaliar quem pode (ou está) se saindo melhor.

Duas lógicas diferentes de montadora

BYD e Leapmotor nascem de lugares diferentes dentro da indústria chinesa, e isso ajuda a explicar como cada uma se posiciona mundo afora.

A BYD carrega um DNA de chão de fábrica: começou como fabricante de baterias, construiu escala industrial e passou a controlar boa parte da própria cadeia produtiva. Por sua vez, a Leapmotor surge em um ambiente mais tecnológico, de integração eletrônica, soluções digitais e eficiência de projeto. 

Não se trata apenas de uma diferença de estilo, mas de lógica. Quando uma montadora fala a partir da fábrica, costuma enfatizar processo, escala industrial e ciclo de vida do produto. Para o consumidor, isso tende a se traduzir em uma sensação maior de previsibilidade, de carro pensado para funcionar bem ao longo do tempo, com “menos surpresas”.

Já quando a marca se apresenta a partir do produto final, o foco normalmente está na experiência de uso e diferenciação no primeiro contato. Nesse caso, a expectativa costuma estar mais ligada à entrega imediata de recursos e à sensação de modernidade, mesmo quando a trajetória da marca ainda está em construção.

Nenhuma dessas abordagens é melhor ou pior por si só, elas apenas estão falando com perfis diferentes de consumidores. No caso da BYD e da Leapmotor, isso ajuda a entender por que elas podem despertar percepções distintas, mesmo quando aparecem na mesma faixa de preço.

Portfólios diferentes e disputas específicas

Outra diferença relevante está na organização do portfólio. No Brasil, a BYD construiu uma oferta ampla, que vai do compacto urbano aos sedãs médios e híbridos plug-in. Isso permite atender perfis variados e ocupar mais de um espaço no mercado ao mesmo tempo.

Já a Leapmotor chega com uma estratégia mais concentrada. Seus primeiros movimentos miram segmentos específicos, especialmente SUVs compactos e médios, hoje os mais disputados. 

Na prática, as duas marcas se cruzam em alguns pontos, mas não disputam exatamente o mesmo território em todos eles.

Preço, tecnologia e o que realmente faz diferença

Parte do apelo da Leapmotor está na promessa de entregar mais tecnologia por um preço competitivo. Telas maiores, assistências eletrônicas e soluções digitais aparecem como diferenciais logo no primeiro contato.

Mas na prática, nem toda sofisticação vira benefício real no dia a dia do motorista. Por exemplo, sistemas que indicam  quando o consumo está fora do ideal ilustram bem isso: fazem o carro custar mais caro, estão disponíveis, mas nem sempre mudam a forma como as pessoas dirigem.

No fim, o que faz realmente diferença não é a quantidade de tecnologia, mas o quanto ela é útil na rotina. Algumas pessoas gostam de ter tudo à vista no carro; outras preferem soluções mais discretas, que funcionem sem pedir atenção o tempo todo. 

Esse é mais um aspecto que mostra que BYD e Leapmotor podem dialogar com públicos distintos, nem necessariamente disputá-los.

BYD e Leapmotor: critérios que pesam na escolha

CritérioBYDLeapmotorOrigem da marcaDNA industrial e controle direto da cadeia produtiva.Marca mais jovem, com foco em tecnologia e eficiência.Presença no BrasilProdução local anunciada e rede própria em expansão.Entrada apoiada na estrutura da Stellantis.PortfólioAmplo, com atuação em vários segmentos.Mais concentrado, com foco inicial em SUVs.Proposta Conjunto equilibrado e já conhecido do público.Tecnologia e recursos como principal diferencial.Tipo de compradorValoriza previsibilidade e histórico.Aceita experimentar algo novo com apoio de uma grande rede.

Por que alguém consideraria trocar BYD por Leapmotor?

No fim, a decisão dificilmente é só racional. Preço, tecnologia, design, confiança na rede ou simplesmente a vontade de experimentar uma marca diferente entram na conta. 

É justamente nesse conjunto de critérios que a Leapmotor tenta encontrar espaço em um mercado hoje liderado pela BYD.

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