3 de abril de 2026

​Líder militar de Burkina Faso diz que país deve “esquecer” democracia 

Capitão Ibrahim Traoré, que tomou o poder em golpe e proibiu partidos, defende ruptura com modelo ocidental, aproximação com Rússia e endurece repressão em meio a denúncias de massacre de civis
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O presidente de transição de Burkina Faso, capitão Ibrahim Traoré, afirmou que a população do país precisa “esquecer” a democracia, em mais um sinal de ruptura com modelos políticos ocidentais em uma das regiões mais instáveis do mundo.

Em entrevista exibida pela TV estatal, o militar de 38 anos — no poder desde o golpe de 2022 — disse que a democracia “mata” e não serve para Burkina Faso.

Segundo ele, a maioria dos africanos não quer esse sistema e o país busca uma “abordagem própria”, sem detalhar qual seria o modelo a ser adotado.

Traoré havia prometido devolver o poder a um governo civil até julho de 2024, mas, dois meses antes do prazo, a junta anunciou que ficaria por mais cinco anos no comando.

Em janeiro, o regime baniu todos os partidos políticos sob o argumento de “reconstruir o Estado”.

Na entrevista, o líder descreveu os partidos como estruturas “divisivas e perigosas”, incompatíveis com o que chama de projeto revolucionário.

“A verdade é que a política na África – ou pelo menos o que vivemos em Burkina – é que um verdadeiro político é alguém que encarna todos os vícios: mentiroso, bajulador, um grande conversador”, afirmou.

Traoré defende a construção de um sistema baseado em “soberania, patriotismo e mobilização revolucionária”, com papel central para lideranças tradicionais e estruturas comunitárias. Ele não apresentou, porém, uma alternativa institucional clara à democracia multipartidária.

O militar também criticou de forma contundente o Ocidente. Para ele, onde potências ocidentais tentam “implantar a democracia”, há derramamento de sangue.

Como exemplo, citou a Líbia, que, após a queda de Muammar Gaddafi em 2011, vive fragmentação política, ausência de eleições nacionais e presença de múltiplos grupos armados.

Desde que assumiu o poder, Traoré endureceu o controle interno. Seu governo tem reprimido oposição, imprensa e organizações da sociedade civil.

Há denúncias de que críticos passaram a ser enviados à linha de frente da guerra contra grupos jihadistas como forma de punição.

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