Especialistas explicam como se preparar para uma vida mais longa e evitar armadilhas no orçamento
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As brasileiras vivem, em média, até os 79,9 anos, segundo dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgados em 2024. Esse aumento da longevidade traz um novo desafio para o planejamento financeiro: garantir renda suficiente para se sustentar décadas após a aposentadoria.
“Muitas mulheres podem viver tranquilamente mais 25 ou 30 anos após a aposentadoria. Isso significa que essa fase da vida pode durar praticamente o mesmo tempo que uma carreira profissional”, diz Simone Cesena, diretora do Instituto de Longevidade MAG.
Para Talita Raupp, superintendente de Produtos de Previdência da Icatu Seguros, esse cenário exige olhar para as finanças com a mesma atenção dedicada à saúde física.
“Viver mais significa atravessar mais etapas da vida, como educação, carreira, aposentadoria e, muitas vezes, um período mais longo de cuidados com a saúde. Nesse contexto, proteção e planejamento financeiro se tornam centrais”, aponta a superintendente.
Segundo as especialistas, preparar-se para viver até os 80 ou mais envolve pensar não apenas em aposentadoria, mas também em proteção contra imprevistos, custos com saúde e períodos de menor renda ao longo da vida.
O tempo como aliado
Começar cedo é uma das principais recomendações para quem deseja construir segurança financeira para a velhice. O motivo é simples: quanto maior o tempo de investimento, maior o efeito dos juros compostos sobre o patrimônio acumulado.
Para Cesena, quem começa aos 30, por exemplo, pode acumular recursos ao longo de décadas com aportes menores. Já por volta dos 40, muitas mulheres atingem maior estabilidade profissional e aumento da capacidade de renda, o que abre espaço para elevar os aportes e acelerar a formação de patrimônio, além de organizar melhor estratégias de longo prazo, como previdência, seguros e investimentos mais estruturados.
Aos 50 anos, o foco costuma ser consolidar essa reserva e preparar a transição para a aposentadoria, garantindo renda e proteção para os anos seguintes.
Quem deixa o planejamento para mais tarde tende a precisar de contribuições maiores para atingir o mesmo objetivo.
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“O planejamento financeiro não é apenas sobre dinheiro e sim sobre criar as condições para viver uma vida mais longa com mais liberdade de escolhas e mais tranquilidade”, diz Cesena, do Instituto de Longevidade MAG.
Para Raupp, esse planejamento precisa ser revisado periodicamente “para que possa acompanhar mudanças de renda, de prioridades e das diferentes fases da vida”.
“Uma estratégia bastante utilizada na prática é adotar um perfil de investimento mais arrojado no início da fase de acumulação e, ao longo do tempo, ir tornando gradualmente a carteira mais conservadora, à medida que se aproxima a idade de aposentadoria ou o momento de usufruir dos recursos.”
— diz Talita Raupp, da Icatu
Outro ponto central no planejamento financeiro que considera uma maior longevidade é não depender exclusivamente da previdência pública.
Atualmente, o teto do benefício pago pelo INSS gira em torno de R$ 8,5 mil, valor que pode não ser suficiente para manter o padrão de vida de parte da população.
“Um dos erros mais comuns é acreditar que a previdência pública será suficiente para sustentar toda a fase da aposentadoria”, ressalta Cesena. Segundo ela, subestimar quanto tempo essa etapa pode durar também compromete o planejamento.
Por isso, as especialistas recomendam considerar fontes complementares de renda ao longo da vida ativa, como investimentos e previdência privada.
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Saúde versus doenças
Viver mais também significa lidar com um período mais longo de cuidados com a saúde. Com o avanço da idade, aumentam as chances de doenças crônicas ou de dependência para atividades do dia a dia.
O impacto financeiro pode ser significativo. Um cuidador domiciliar pode custar entre R$ 2 mil e R$ 5 mil por mês, dependendo da região, segundo Cesena. Já instituições de longa permanência para idosos podem ter valores ainda mais elevados.
“Ter um plano de saúde é importante, mas muitas necessidades dessa fase da vida, como cuidadores ou adaptações na residência, não estão cobertas.”
— diz Simone Cesena, do Instituto de Longevidade MAG
Segundo Raupp, seguros com cobertura para doenças graves podem ajudar a enfrentar esse tipo de situação. Em casos como câncer, Alzheimer ou Parkinson, a indenização pode ser utilizada para custear tratamentos, medicamentos ou cuidados especializados.
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Carreiras interrompidas e o trabalho invisível
A trajetória profissional das mulheres também tende a ser mais irregular, o que impacta diretamente a renda na aposentadoria.
Pausas na carreira para maternidade ou para cuidar de familiares reduzem o tempo de contribuição previdenciária e podem diminuir o valor do benefício futuro.
Além disso, estudos mostram que o trabalho de cuidado no Brasil ainda recai majoritariamente sobre as mulheres. Segundo a pesquisa “Trabalho invisibilizado do cuidado no Brasil: desigualdades de gênero, raça e escolaridade ao longo do curso da vida”, baseada na PNAD, 79,7% de todo o trabalho de cuidado não remunerado no país é realizado por mulheres.
Para especialistas, reconhecer esse impacto é essencial no planejamento financeiro.
“Esses períodos podem significar menos anos de contribuição e benefícios menores no futuro. Por isso, o planejamento precisa considerar essa realidade desde cedo”, afirma Cesena.
Entre as estratégias possíveis estão a contribuição facultativa ao INSS durante períodos fora do mercado formal e a construção de reservas por meio de investimentos e previdência complementar.
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Previdência privada e seguros como aliados
Dentro do planejamento financeiro, especialistas defendem a combinação de instrumentos voltados à acumulação de patrimônio e proteção contra imprevistos.
A previdência privada tem como principal função formar uma reserva de longo prazo para complementar a aposentadoria. Dependendo do modelo, também pode trazer benefícios fiscais, como a possibilidade de deduzir até 12% da renda bruta anual no Imposto de Renda no caso do plano PGBL.
Já o seguro de vida atua como mecanismo de proteção, oferecendo cobertura em situações como doença grave, invalidez ou incapacidade para o trabalho.
“A previdência privada ajuda a formar e preservar patrimônio ao longo da vida ativa, enquanto o seguro de vida garante previsibilidade e estabilidade diante de imprevistos”, conclui Raupp.
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