Medidas para conter alta dos combustíveis incluem subsídios e compensações, mas levantam dúvidas sobre impacto nas contas públicas
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A reação do governo ao avanço dos preços dos combustíveis, em especial do diesel, revela uma prioridade de evitar que o impacto chegue com força ao bolso do eleitor, ainda que isso implique maior pressão sobre as contas públicas.
A avaliação foi destacada por analistas no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, ao analisarem a estratégia adotada pelo Palácio do Planalto diante da escalada do petróleo no mercado internacional.
A combinação de medidas inclui a redução de tributos, subsídios e tentativas de compensação via arrecadação extraordinária, em um esforço para conter o efeito em cadeia que o diesel provoca sobre frete, alimentos e serviços. Na prática, o governo busca impedir que a alta de custos se traduza rapidamente em inflação e desgaste político.
“Há uma disposição do governo de evitar o repasse desse custo e os desgastes que ele poderia trazer, meio que a qualquer custo”, afirmou o analista de política da XP, Paulo Gama durante o programa desta sexta-feira (20).
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Para além da resposta emergencial, o movimento levanta dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal dessas medidas. Parte da estratégia passa por compensações, como a taxação de exportações de petróleo e o aumento de arrecadação decorrente dos lucros das petroleiras em um cenário de preços mais altos.
Ainda assim, o desafio está em manter o equilíbrio sem abrir espaço para deterioração estrutural das contas públicas. A leitura dos analistas é que, no curto prazo, o mercado tende a tolerar ações pontuais diante de um choque externo — como a guerra no Irã, que impulsionou o preço do petróleo. O risco maior está na permanência dessas políticas.
“A grande dúvida é se isso não vira subterfúgio para uma série de outros gastos ou eventualmente para uma elevação permanente de gastos”, disse Paulo Gama.
A experiência recente reforça esse alerta. Medidas adotadas em momentos de crise, como desonerações ou ampliação de benefícios sociais, frequentemente se tornam permanentes, elevando o patamar de gastos e dificultando ajustes futuros.
Pressão eleitoral influencia decisões
O contexto político ajuda a explicar a postura do governo. Em um ambiente de pré-campanha e com sinais de desgaste na popularidade, evitar a alta de preços se torna uma prioridade estratégica. O custo político de uma inflação mais elevada tende a ser imediato, enquanto o impacto fiscal pode ser diluído ao longo do tempo.
Esse padrão não é novo. Segundo os analistas, diferentes governos já flexibilizaram regras fiscais diante de pressões políticas ou econômicas. “Regra fiscal foi feita para ser ignorada, apagada ou reescrita”, afirmou Creomar de Sousa, CEO da Dharma e Professor da Fundação Dom Cabral, ao destacar a recorrência desse comportamento na história recente do país.
Mercado monitora efeitos de longo prazo
Para investidores, o ponto central é diferenciar medidas emergenciais de mudanças estruturais. A adoção de ações temporárias para conter choques externos pode ser vista como justificável. No entanto, a ampliação permanente de gastos ou a criação de novos mecanismos de intervenção tende a elevar a percepção de risco.
O receio é que decisões tomadas sob pressão conjuntural acabem alterando o patamar fiscal de forma duradoura, especialmente em um momento em que o país já enfrenta desafios relevantes no equilíbrio das contas públicas.
Nesse cenário, a estratégia do governo caminha sobre uma linha estreita. Conter os impactos econômicos no curto prazo sem comprometer a credibilidade fiscal no longo prazo. O desfecho dessa equação deve influenciar não apenas o ambiente político, mas também o humor dos mercados nos próximos meses.
O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 5h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.
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