Reversão após fala de Trump não deve provocar corrida do investidor por ativos de risco, defende Mark Haefele, CIO do UBS Wealth Management: “Agora não é o momento de ser ousado”
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A forte reversão dos mercados na segunda-feira (9), depois de Donald Trump sinalizar que a guerra com o Irã poderia acabar “muito em breve” e de discutir a crise do petróleo com Vladimir Putin, pode ter ido longe demais, na visão do UBS. Para o banco, os investidores não deveriam simplesmente assumir que a crise terá uma saída rápida só porque o presidente americano falou.
A reação do mercado à fala de Trump foi expressiva. Depois de encostar em US$ 120, o Brent recuou mais de 10%, com alívio também em bolsas e outros ativos de risco. A leitura predominante foi a de que a ligação entre Trump e Putin, combinada com a fala do presidente americano sobre uma possível desescalada rápida, reduzia o risco de um choque prolongado de oferta de petróleo.
Para o UBS, porém, essa leitura pode ser otimista demais. “Achamos que os investidores devem ser cautelosos em simplesmente assumir que o presidente Trump pode fechar um acordo e que os fluxos de energia serão retomados em breve”, diz Mark Haefele, CIO global do braço de Wealth Management do UBS, em relatório.
O estrategista acrescenta que, embora o fim das hostilidades e a retomada dos fluxos até o fim de março ainda sejam o cenário mais provável, há “algum risco de decepção do mercado”. Ele argumenta que ainda não está claro nem se surgirá uma liderança “mutuamente aceitável” no Irã nem se a navegação por Ormuz voltará de forma relevante no curto prazo.
O impasse em Ormuz também pode durar mais do que o mercado passou a embutir após o alívio de segunda-feira. Haefele lembra que os EUA ofereceram seguro para cobrir a perda de embarcações atingidas por mísseis ou drones, mas observa que isso não foi suficiente para fazer o tráfego voltar de forma material.
“Os navios podem continuar sem disposição para atravessar o estreito”, afirma. Para os armadores, diz, a conta não envolve apenas seguro, mas também a decisão racional de esperar enquanto outros testam a rota primeiro.
A cautela do UBS ganhou força já nesta terça-feira (10). O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que este seria o dia mais intenso de ataques contra o Irã desde o início da campanha, enquanto Israel e EUA mantinham a pressão militar e Teerã seguia reagindo.
No curto prazo, explica Haefele, a principal variável é saber se haverá acordo político ou se os comboios navais dos EUA conseguirão reabrir parcialmente a rota em Ormuz. E três pontos serão cruciais nas próximas semanas: o tamanho logístico desses comboios, quantos armadores estarão dispostos a aderir e se a travessia conseguirá ocorrer sem danos. A avaliação é que é possível que os comboios dos EUA levem o tráfego de navios de volta a cerca de 50% dos níveis pré-conflito.
Mais à frente, o UBS destaca que o verdadeiro teste para os mercados será o comportamento do petróleo ao longo do tempo. Se o barril seguir elevado por meses e a navegação continuar limitada, o choque deixa de ser apenas geopolítico e passa a contaminar inflação, confiança e crescimento.
Nos cálculos do UBS, se o petróleo à vista ficar acima de US$ 90 por mais de seis meses, a inflação dos EUA subiria 60 pontos-base em 2026. Se ficar acima de US$ 120 no mesmo período, o impacto seria de 150 pontos-base.
Diminua o risco – ou fique parado
A conclusão prática do banco é menos dramática do que o noticiário recente pode sugerir. Para o investidor já diversificado, com horizonte longo e capacidade de atravessar volatilidade, a recomendação central é permanecer investido, já que o conflito não seria capaz de alterar de forma relevante onde os mercados estarão no horizonte mais longo.
Para quem quer navegar a crise de forma mais tática, a orientação é reduzir risco de forma progressiva se o conflito persistir, com três frentes: adicionar hedge, ampliar diversificação com títulos de qualidade, ouro e commodities e cortar exposição cíclica em ações e crédito mais arriscado. “Achamos que os investidores devem construir um plano para reduzir progressivamente os riscos de portfólio quanto mais a crise durar.”
Na parte de bolsa, a UBS tenta escapar dos dois extremos. “Não acreditamos que os investidores em ações devam ‘correr para as colinas’, mas tampouco deveriam ‘comprar a queda’ por reflexo”, diz o CIO. “Agora não é o momento de ser ousado.”
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