Escalada militar deve impulsionar petróleo, energia e defesa e pressionar ações cíclicas, aéreas e hotéis, em um pregão de alta volatilidade em Ásia, Europa e EUA
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Traders se preparam para uma abertura de semana volátil e com forte aversão ao risco nas bolsas globais depois de Estados Unidos e Israel atacarem o Irã, com o foco se voltando para empresas de energia e defesa como possíveis portos seguros, em meio à expectativa de perdas em aéreas e outros setores ligados ao consumo.
O movimento nos mercados do Oriente Médio ao longo do fim de semana deu uma prévia do que esperar. O índice Tadawul All Share, da Arábia Saudita, caiu 2,2%, com as perdas limitadas pela alta da gigante petrolífera Aramco, enquanto o principal índice do Egito recuou 2,5%.
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“Os mercados acionários provavelmente vão se orientar totalmente pelos preços do petróleo como principal motor do movimento”, disse Michael Kantrowitz, estrategista-chefe de investimentos da Piper Sandler & Co. “As ações ficarão sob pressão até que o petróleo pare de subir.”
O conflito é o mais novo gatilho para outra disparada nos preços de petróleo e gás, com algumas estimativas apontando que, quando as negociações reabrirem na noite de domingo, o petróleo pode saltar de 10% a 15%. Estrategistas esperam que a forte escalada militar provoque uma rotação ampla para os setores tradicionalmente defensivos do mercado, que costumam se manter mais estáveis em meio a turbulências econômicas, como utilities (serviços públicos) e saúde. Enquanto isso, ações de crescimento mais arriscadas e setores sensíveis ao ciclo econômico, como indústria e bancos, podem enfrentar pressão vendedora.
A segunda-feira deve registrar “volatilidade e venda em tecnologia e cíclicas, e a razão para isso é que, pelas ações que vimos, há um risco significativo de que a alta dos preços de energia penalize o crescimento”, disse Matt Gertken, estrategista-chefe geopolítico e de política dos EUA na BCA Research. “Devemos ver, globalmente, defensivas e energia superando o mercado.”
À medida que investidores em ações ao redor do mundo avaliam os efeitos do conflito, segue um guia dos setores para observar na abertura dos mercados na Ásia, Europa e Estados Unidos.
Energia
O Brent subiu na sexta-feira ao maior nível desde julho, com traders se preparando para o conflito, levando as ações de energia nos EUA a um recorde histórico. Grandes nomes do setor devem continuar registrando ganhos fortes, entre eles Exxon Mobil, Chevron, Shell, TotalEnergies, Repsol, BP, a australiana Woodside Energy, a PetroChina listada em Hong Kong e a S-Oil, da Coreia do Sul.
“A questão é: qual será o impacto da resposta do Irã sobre a oferta global de petróleo — ao menos temporariamente e, talvez, no longo prazo?”, disse Rob Thummel, gestor de portfólio da Tortoise Capital. Qualquer disparada de preços pode ser de curta duração se a oferta não for severamente interrompida. Em um cenário que Thummel considera menos provável, um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz poderia empurrar os preços para acima de US$ 100 por barril.
O Irã afirmou que não pretende fechar a passagem, que responde por cerca de 20% dos fluxos globais de petróleo, mas há sinais de que o tráfego de petroleiros pelo gargalo está parando.
Thummel disse ainda que as ações de empresas de transporte de petróleo também tendem a se beneficiar. Por outro lado, preços mais altos costumam pressionar as margens de refinadoras como Marathon Petroleum e Valero Energy.
Defesa
As ações de defesa já vinham em alta no último ano à medida que as tensões globais aumentaram, e o novo conflito no Oriente Médio dá mais um motivo para traders buscarem o setor. Investidores devem mirar grandes contratistas dos EUA, como Lockheed Martin e Northrop Grumman, além da europeia Rheinmetall, da BAE Systems Plc, da sul-coreana Hanwha Systems e da taiwanesa Aerospace Industrial.
“O mercado vai interpretar esse cenário como amplamente positivo para as ações de defesa europeias”, disse o analista Jens-Peter Rieck, da MWB Research, embora “qualquer movimento deva ser guiado mais por sentimento do que por mudanças nas estimativas de lucro”.
O presidente Donald Trump já vinha pressionando aliados europeus e asiáticos a gastar mais com defesa, e propôs um aumento de cerca de US$ 500 bilhões nos gastos militares dos EUA.
A demanda por mais recursos militares pode agora se espalhar para o Oriente Médio, segundo a analista Sheila Kahyaoglu, da Jefferies. Empresas americanas do setor de defesa capturariam boa parte desse novo fluxo de negócios na região, que já representa uma fatia relevante de suas vendas externas, disse ela.
Metais preciosos
Investidores normalmente correm para ativos de proteção, como ouro e prata, em períodos de incerteza geopolítica — movimento que tende a impulsionar as ações de mineradoras. Os preços dos metais preciosos, especialmente ouro e prata — que já vinham em forte rali no último ano — começaram a subir nas semanas que antecederam o conflito com o Irã.
Entre as ações para monitorar estão Agnico Eagle Mines, Barrick Mining e Newmont, na América do Norte; Fresnillo e Hochschild Mining, na Europa; e Chifeng Jilong Gold Mining, em Hong Kong. O índice canadense S&P/TSX Composite pode ter desempenho superior na segunda-feira, dada sua alta exposição a mineração e energia, que respondem por cerca de 38% da carteira.
Viagens e transporte
A alta do petróleo tende a elevar os custos de combustível das companhias aéreas e comprimir margens, ao mesmo tempo em que o conflito desorganiza o fluxo global de viagens. As ações das aéreas dos EUA tiveram na sexta-feira a maior queda desde abril, já antecipando o conflito. Companhias aéreas do Golfo Pérsico ampliaram a suspensão de operações, o que pode desarrumar a delicada “coreografia” dos voos internacionais.
Investidores devem acompanhar papéis como American Airlines e Delta, listadas nos EUA; Lufthansa, na Alemanha; Singapore Airlines; e Qantas, na Austrália.
“O impacto imediato será sobre ações de companhias aéreas e do setor de viagens, à medida que surgirem notícias de fechamento de espaços aéreos no Oriente Médio e de possíveis cancelamentos de voos que dependem dessa rota para chegar à Europa”, disse Francis Tan, estrategista-chefe para Ásia na CA Indosuez Wealth Asset Management.
Cada variação de 5% na estimativa da Jefferies para o preço do combustível em 2026 se traduz em um impacto de 5% a 10% no lucro por ação de Delta e United Airlines. No caso da American, isso representa um impacto de 35% para cima ou para baixo, de acordo com Kahyaoglu. Ainda assim, as aéreas norte‑americanas têm exposição direta “mínima” ao tráfego para o Oriente Médio, acrescentou ela, com a Air Canada sendo a mais exposta, com 1,1% de sua capacidade na região.
Operadoras de hotéis também podem ser prejudicadas por interrupções nas viagens e pela menor demanda. A InterContinental Hotels opera mais de 100 hotéis na região, e suas ações caíram 3% em Londres na sexta-feira.
O fechamento do espaço aéreo no Oriente Médio também ameaça as margens de empresas de frete como FedEx, UPS e DHL, uma vez que tempos de trânsito mais longos encarecem o combustível, segundo Lee Klaskow, da Bloomberg Intelligence. Por outro lado, gargalos no transporte pelo mar Vermelho e pelo Canal de Suez podem permitir que armadores de contêineres, como a Maersk, aumentem os fretes cobrados por seus serviços.
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