22 de março de 2026

​Míssil envolvido em explosão no Barein era provavelmente operado pelos EUA 

A conclusão é de uma análise de pesquisadores acadêmicos
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Uma bateria de defesa aérea Patriot operada pelos Estados Unidos provavelmente disparou o míssil interceptador envolvido em uma explosão ocorrida antes do amanhecer que feriu dezenas de civis e destruiu casas no Barein, país aliado dos EUA, 10 dias após o início da guerra contra o Irã, de acordo com uma análise de pesquisadores acadêmicos vista pela Reuters.

Tanto o Barein quanto Washington culparam um ataque de drones do Irã pela explosão de 9 de março, que, segundo o reino do Golfo, feriu 32 pessoas, incluindo crianças, algumas gravemente. Comentando sobre o dia do ataque, o Comando Central dos EUA disse no X que um drone iraniano atingiu um bairro residencial no Barein.

Em resposta a perguntas da Reuters, o Barein reconheceu no sábado, pela primeira vez, que um míssil Patriot estava envolvido na explosão no bairro de Mahazza, na ilha de Sitra, ao largo da capital Manama e também sede de uma refinaria de petróleo.

Em um comunicado, um porta-voz do governo do Barein disse que o míssil interceptou com sucesso um drone iraniano em pleno ar, salvando vidas.

“Os danos e ferimentos sofridos não foram resultado de um impacto direto no solo do interceptador Patriot ou do drone iraniano”, afirmou o porta-voz.

Nem Barein nem Washington forneceram provas de que um drone iraniano estava envolvido no incidente de Mahazza.

O uso de armamentos caros e avançados para se defender contra ataques de drones muito mais baratos tem sido uma característica marcante da guerra. O incidente aponta para os riscos e as limitações dessa estratégia: A explosão do potente Patriot, independentemente de ter ou não interceptado um drone, contribuiu para danos e vítimas generalizados, enquanto as defesas aéreas do Barein não conseguiram evitar ataques naquela noite à refinaria de petróleo próxima, que declarou força maior horas depois.

Quando solicitado a comentar o assunto, o Pentágono encaminhou a Reuters ao Comando Central, que não respondeu imediatamente às perguntas.

Em resposta a questões enviadas à Casa Branca, uma autoridade sênior norte-americana disse que os Estados Unidos estavam “esmagando” a capacidade do Irã de disparar ou produzir drones e mísseis. “Continuaremos a lidar com essas ameaças ao nosso país e aos nossos aliados”, declarou a autoridade, acrescentando que as Forças Armadas dos EUA “nunca têm civis como alvo”. A autoridade não respondeu a perguntas específicas sobre o ataque de Patriot.

Em 28 de fevereiro, o primeiro dia de ataques dos EUA ao Irã, uma escola feminina iraniana foi atingida diretamente. Segundo a Reuters, os investigadores do Departamento de Defesa dos EUA acreditam que as forças norte-americanas provavelmente foram as responsáveis, possivelmente por causa de dados desatualizados sobre alvos, segundo duas fontes norte-americanas disseram anteriormente à agência de notícias.

O vídeo das consequências da explosão em Mahazza, no Barein, verificado pela Reuters, mostra escombros ao redor das casas, uma espessa camada de poeira nas ruas, um homem ferido e moradores gritando.

Tanto o Barein quanto os Estados Unidos operam baterias de defesa aérea Patriot dos EUA no reino, um aliado próximo dos EUA, localizado no Golfo Pérsico, que abriga a Quinta Frota da Marinha dos EUA, juntamente com o comando naval regional dos EUA.

O Barein desempenha um papel fundamental na segurança do Estreito de Ormuz, ponto por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo e que foi quase totalmente fechado pelo Irã, causando uma interrupção sem precedentes no fornecimento mundial de petróleo.

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