27 de março de 2026

​Morgan Stanley rebaixa ações globais e eleva alocação em caixa e Treasuries dos EUA 

Entre os emergentes, Brasil aparece como ponto positivo, mas também afetado pela dinâmica global
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O Morgan Stanley reduziu sua recomendação para ativos de risco, rebaixando ações globais de overweight (exposição acima da média do mercado) para equalweight (exposição em linha com a média do mercado) e elevando a alocação em caixa e Treasuries dos EUA.

Os estrategistas fizeram essa mudança na alocação diante do aumento da incerteza sobre a duração e a magnitude das interrupções no fornecimento global de petróleo em meio às tensões no Oriente Médio.

De acordo com o banco americano, o principal vetor de preocupação está na dificuldade de antecipar a duração e o impacto econômico das disrupções no petróleo associadas ao conflito no Oriente Médio. Para o Morgan, os mercados ainda operam de forma relativamente complacente, considerando apenas cenários intermediários, quando há risco crescente de eventos mais extremos, como um fechamento efetivo e prolongado do Estreito de Ormuz.

Olhando para o cenário adverso, o Morgan estima que o preço do barril do Brent poderia alcançar entre US$ 150 e US$ 180, o que exigiria uma forte destruição de demanda para reequilibrar o mercado.

Um choque dessa magnitude, de acordo com os estrategistas, poderia levar a uma contração de cerca de 25% nos múltiplos das ações globais e a uma abertura relevante dos spreads de crédito, com perdas expressivas para investidores em renda variável e crédito corporativo.

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Embora reconheça que a recente volatilidade tornou os ativos de risco mais baratos — especialmente em mercados emergentes —, o Morgan aponta que o perfil de risco-retorno piorou. Os spreads de crédito, por exemplo, ainda permanecem próximos de níveis típicos de períodos sem recessão, o que limita a margem de segurança caso o cenário macro se deteriore rapidamente.

Equilíbrio de forças globais

Levando em conta esses fatores, o banco reforça sua preferência relativa por ativos americanos, observando que tanto ações quanto títulos públicos dos EUA tendem a apresentar menor perda histórica em cenários de estresse extremo, além de se beneficiarem de fluxos defensivos em momentos de aversão ao risco.

Já mercados como Europa, Japão e emergentes, foram alvo de redução de exposição, diante da maior sensibilidade ao choque energético e ao risco de desaceleração global.

Assim, a recomendação é de cautela, mantendo exposição neutra a ações, reduzindo crédito mais arriscado, elevando caixa e aumentando o duration da carteira, enquanto o cenário geopolítico segue incerto e com potencial de deterioração rápida.

A redução em ações foi de forma geral, com o banco também destacando especificamente o corte de exposição a ações americanas e japonesas.

“A trajetória de lucros e os fundamentos antes do início do conflito no Oriente Médio eram fortes, um dos motivos pelos quais aumentamos nossa exposição a ações no final de fevereiro. No entanto, o potencial de aumento dos preços da energia e o maior risco geopolítico impactarão os lucros e os múltiplos, e agora preferimos manter uma postura defensiva. Ainda mantemos nossa preferência por ações americanas, dado o maior crescimento do lucro por ação. Os fluxos de capital dos últimos dias também reforçam a ideia de que as ações americanas geralmente são consideradas defensivas em comparação com outras regiões”, avalia.

O potencial de alta em um cenário de desescalada também é visto como maior para o mercado, considerando a forte recuperação dos lucros no início do conflito.

O banco também reduziu o risco em ações de mercados emergentes. Para o Morgan, apesar de haver pontos positivos, como o Brasil, a Ásia emergente continua dependente do fornecimento de petróleo bruto, derivados de petróleo e GNL (Gás Natural Liquefeito) do Oriente Médio.

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