21 de março de 2026

​Mulheres priorizam benefícios ao escolher uma instituição financeira, diz pesquisa 

Pesquisa do Instituto Locomotiva mostra que 73% das mulheres valorizam rendimento automático, cashback e descontos
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As mulheres brasileiras já entenderam o valor no sistema financeiro, mesmo que ainda não consigam capturá-lo plenamente. É o que revela uma pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva, encomendada pela 99Pay, sobre bancarização no Brasil. Muitos dos benefícios como rendimento automático, cashback e descontos hoje pesam na decisão feminina por uma instituição, mais do que na masculina.

Segundo o levantamento, 73% das mulheres bancarizadas dizem que o rendimento automático do saldo influencia muito na escolha de uma instituição financeira, acima dos 71% entre os homens. O mesmo padrão se repete em outros benefícios, como o cashback que impacta 68% das mulheres, ante 65% dos homens, e descontos em parceiros, que influenciam 65% delas, contra 61% do público masculino.

Esse comportamento também se reflete no consumo. Entre as mulheres, 71% afirmam que o cashback influencia diretamente suas compras, enquanto 68% destacam os descontos como fator relevante. Ambos os índices novamente acima dos registrados entre os homens.

O dado sugere uma mudança importante no perfil financeiro feminino, indicando que mais do que serviços básicos, cresce a busca por produtos que potencializem o dinheiro no dia a dia, funcionando como uma extensão da renda em um cenário de pressão orçamentária.

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Expectativa e realidade

Apesar do maior interesse e conhecimento, a pesquisa expõe um descompasso relevante entre expectativa e realidade. O cashback é conhecido por 94% das mulheres, e o rendimento automático atrelado ao CDI por 75%. Ainda assim, o uso efetivo desses recursos é menor do que entre os homens.

Apenas 57% das mulheres dizem utilizar ou já ter utilizado cashback, contra 67% dos homens. No caso de investimentos com rendimento automático, 56% das mulheres afirmam já ter aderido, enquanto entre os homens o índice sobe para 70%.

Na leitura do Instituto Locomotiva, esse gap revela mais do que uma questão de comportamento. Aponta barreiras estruturais de acesso ao ganho financeiro.

Os números mostram uma distância entre reconhecer valor e conseguir transformar esse valor em ganho real, avalia o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles. “Esse descompasso sugere barreiras de acesso e uma oportunidade concreta de ampliar a autonomia financeira feminina”, afirma.

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Renda menor

Parte da explicação está na renda. Segundo dados do Ministério do Trabalho, as mulheres ganham, em média, 21% menos que os homens no Brasil, o que tende a tornar ainda mais relevante a busca por benefícios que ampliem o poder de compra e a rentabilidade do dinheiro.

Nesse contexto, produtos como rendimento automático e cashback deixam de ser apenas diferenciais comerciais e passam a funcionar como ferramentas de gestão financeira cotidiana. “Há maior atenção a benefícios que entreguem retorno concreto e ajudem a esticar o orçamento”, disse a diretora de Marketing da 99Pay, Marina Beer.

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Oportunidade

Para instituições financeiras, os dados confirmam que a demanda existe, com conhecimento e interesse entre as mulheres, mas ainda há um espaço significativo para ampliar o uso efetivo desses benefícios.

Isso passa por simplificação de produtos, comunicação mais clara e soluções acessíveis, especialmente aquelas que não exigem valor mínimo ou conhecimento técnico avançado. Ao mesmo tempo, o estudo traz um alerta de que a disputa entre bancos e fintechs pode deixar de ser apenas por taxa ou tarifa e migrar cada vez mais para a capacidade de entregar ganhos reais no curto prazo, visíveis no dia a dia do cliente. O desafio do sistema financeiro, conforme a pesquisa, será garantir que elas consigam acessar esse ganho de fato.

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