8 de março de 2026

​Multimercados ficam mais seletivos com Bolsa e redobram apostas para a queda da Selic 

Gestores ainda veem fôlego para acões locais, mas já enxergam alguns múltiplos muito esticados na esteira da compra desenfreada por estrangeiros
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Gestores de fundos multimercados começaram março com ajustes nas carteiras após o rali dos mercados no início de 2026. Diversas casas optaram por reduzir a exposição direta à Bolsa, enquanto compraram ouro, reduziram aposta em dólar fraco e redobraram alocações em juros visando a iminente queda da Selic.

O Copom deve anunciar um corte de juros no próximo dia 18, com apostas divididas entre reduções de 0,25 ou 0,5 ponto percentual – na Opção de Copom negociada na B3, o corte mais profundo é maioria.

A mudança nos portfólios vem após um forte desempenho em ativos de risco no começo do ano.

“Os mercados globais mostraram nesses dois primeiros meses de 2026 um contraste surpreendente entre maior incerteza econômica e geopolítica versus forte performance de ativos de risco em meio à baixa volatilidade”, destaca a Ibiuna em carta mensal.

Para março, as casas estão em sua maioria com posições aplicadas em juros (ou seja, que se beneficiam da queda), com a leitura de que o cenário local será preponderante para definir o começo do ciclo de queda da taxa básica.

Nos últimos dias, o conflito de Estados Unidos e Israel contra o Irã elevou temores de alta da inflação, o que mexeu principalmente com os juros de curto prazo. Mas, apesar da volatilidade, a avaliação predominante entre os gestores é de que o cenário macro global ainda não mudou de forma estrutural, e que o impacto no petróleo será temporário.

“A inflação segue em trajetória de queda em diversas economias, permitindo que os bancos centrais avancem gradualmente no processo de redução de juros”, reforça a Adam Capital em sua carta mensal.

A leitura da Legacy Capital segue linha semelhante, mesmo ponderando a prévia mais quente da inflação de fevereiro: “A última leitura do IPCA-15 trouxe uma surpresa
altista em alguns itens, mas que não comprometeu, em nossa avaliação, a perspectiva de convergência da inflação à meta”. A Legacy projeta a Selic ao ciclo na casa dos 11% ao ano.

Redução de risco em Bolsa

Se a aposta em juros aparece como consenso, a postura em relação à bolsa é mais cautelosa.

Depois de um início de ano forte para vários mercados, algumas gestoras reduziram a exposição líquida a ações ou passaram a utilizar mais estratégias de proteção.

Leia mais: Ibiuna reduz risco à espera de definição sobre duração da guerra do Irã

A Bahia Asset Management afirma que segue com exposição mais seletiva a ativos de risco, “diante de um ambiente global ainda marcado por incertezas” – mesma opinião da Opportunity Asset Management.

Por outro lado, as casas deixam claro que a visão para ações locais ainda é positiva, “diante da expectativa de continuidade desse fluxo para o mercado doméstico e da redução dos patamares de juros no Brasil ao longo dos próximos meses”, conforme destaca a Santander Asset.

“A bolsa brasileira, no topo do índice, ficou cara. Os principais nomes foram puxados de maneira muito pesada porque muito dinheiro foi colocado dentro do Brasil comprando índice”, avalia Ruy Alves, sócio e co-gestor multimercados da Kinea, ao InfoMoney.

“Então a gente tende a hedgear com o índice e comprar empresas no meio do índice, onde a gente acha que os valores estão mais interessantes.”

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