Falhas no sistema de esgoto da cápsula Artemis II exigiram improviso da tripulação e manobras da agência espacial para derreter gelo formado na saída de resíduos no espaço
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À medida que os astronautas da missão Artemis II da Nasa seguem rumo à Lua neste fim de semana, o voo de teste tem ocorrido surpreendentemente bem, sem grandes problemas — exceto por um equipamento que tem dado dor de cabeça à tripulação: o banheiro.
A cápsula Orion, construída pela Lockheed Martin e responsável por levar a tripulação da Artemis II à Lua, está equipada com o chamado Universal Waste Management System (UWMS), o sistema universal de gerenciamento de resíduos que os astronautas usam durante a missão de 10 dias. É basicamente o mesmo “banheiro espacial” utilizado na Estação Espacial Internacional (ISS).
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Mas fazer esse equipamento complexo funcionar corretamente em voo tem se mostrado um desafio.
O UWMS conta com um funil e uma mangueira para urina, além de um assento com um buraco para as necessidades sólidas. Como os astronautas estão em microgravidade, o banheiro depende de fluxo de ar para puxar os resíduos para dentro do sistema e garantir que a cápsula permaneça limpa. A tripulação também pode usar tiras para prender os pés e apoios para as mãos para se manter na posição.
No primeiro dia de voo da Artemis II, logo depois de a tripulação chegar ao espaço, o banheiro acusou um problema. A especialista de missão Christina Koch, que brincou ao se autointitular “encanadora espacial”, conseguiu colocar o sistema de volta em operação com ajuda do Controle da Missão.
O problema, descobriu-se, estava na bomba do banheiro, que precisava de mais água para ficar úmida o suficiente e “preparada” para funcionar.
“Depois que percebemos que não tínhamos colocado água suficiente, colocamos mais, garantimos que ele estivesse essencialmente preparado – que a bomba estivesse preparada – e então o banheiro voltou a funcionar”, explicou Judd Frieling, diretor de voo de ascensão da Artemis II.
Mas não tão rápido.
O banheiro voltou a apresentar problemas. Diferentemente da Estação Espacial Internacional, onde o esgoto é contido, tratado e reciclado em um sistema de circuito fechado, na missão Artemis II a água residual é periodicamente descartada no espaço ao longo da viagem. Durante essas liberações, partículas brilhantes podem ser vistas passando pelas janelas da Orion, como mostram vídeos feitos pela tripulação.
Em uma dessas descargas, o processo foi interrompido antes do previsto. A Nasa suspeitou que o acúmulo de gelo pudesse estar bloqueando o bocal de ventilação que permite a saída do esgoto para o espaço.
Enquanto investigava o problema, a agência decidiu que, por segurança, a tripulação deveria parar de usar o banheiro para urinar.
“Cópia, estamos em ‘no go’ para o banheiro”, confirmou Koch em determinado momento.
O problema é que há pouco espaço disponível para armazenar urina.
“O tanque de urina da cápsula tem mais ou menos o tamanho de uma pequena lixeira de escritório”, disse Debbie Korth, vice-gerente do programa Orion da Nasa, em entrevista coletiva. “Então precisamos garantir que conseguimos esvaziá-lo antes de colocar mais qualquer coisa lá.”
A tripulação, no entanto, continuou autorizada a usar o banheiro para necessidades sólidas, já que esse tipo de resíduo é coletado em sacos à prova d’água. Como alternativa para a urina, os astronautas podem utilizar os chamados Collapsible Contingency Urinals (CCUs), recipientes cilíndricos e dobráveis projetados para controlar o fluxo de líquidos.
“Somos capazes de fazer coisas extraordinárias no espaço hoje, mas acertar essa capacidade [do banheiro] é algo em que claramente ainda precisamos trabalhar”, afirmou o administrador da Nasa, Jared Isaacman, no programa State of the Union, da CNN, no domingo.
Raios solares
Problemas com gelo em banheiros espaciais não são novidade.
Em 1984, a tripulação da missão STS-41-D do ônibus espacial teve de recorrer a sacos de emergência depois que o banheiro falhou. O vilão, naquele caso, também foi o acúmulo de gelo que se projetava a partir do duto de ventilação do banheiro. Os astronautas conseguiram remover o gelo usando o braço robótico do Shuttle para desprendê-lo, mas isso não os livrou de usar sacos durante boa parte da missão.
Para resolver o problema na Artemis II, a Nasa decidiu “esquentar” a situação. A agência posicionou a Orion de modo que o duto de ventilação do banheiro ficasse “assando” ao sol por algumas horas, derretendo o gelo. A estratégia pareceu funcionar. A tripulação realizou algumas descargas de teste; em uma delas, o fluxo começou limitado.
Finalmente, no fim do sábado, veio a boa notícia do Controle da Missão.
“Notícia de última hora”, disse um comunicador do Centro Espacial Johnson da Nasa à tripulação. “Temos um resultado das discussões aqui embaixo sobre a ventilação do tanque e, neste momento, vocês estão ‘go’ para todos os tipos de uso do banheiro.”
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