18 de março de 2026

​Nvidia projeta US$ 1 tri em chips de IA até 2027 e amplia ofensiva contra rivais 

Empresa apresenta novos processadores no evento GTC e aposta em expansão além das GPUs para sustentar liderança no mercado de inteligência artificial
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A Nvidia Corp., empresa no centro da explosiva expansão da computação voltada à inteligência artificial, projeta gerar pelo menos US$ 1 trilhão com os chips Blackwell e Rubin até o fim de 2027.

A companhia havia estimado anteriormente que esses chips renderiam US$ 500 bilhões em vendas até o fim de 2026. A nova projeção, apresentada pelo diretor-executivo Jensen Huang durante o evento GTC, estende o horizonte em mais um ano.

A previsão reforça a dimensão do negócio da Nvidia, impulsionado pela demanda por chips usados para desenvolver e operar modelos de inteligência artificial. Ainda assim, o número acumulado não indica uma aceleração extraordinária no ritmo de crescimento das vendas.

As ações da empresa chegaram a subir até 4,8% durante o pregão de segunda-feira (16), mas reduziram parte dos ganhos ao longo do dia. Os papéis fecharam em alta de 1,6%, a US$ 183,19, em Nova York.

Durante o GTC, encontro anual que reúne grandes públicos em San Jose, na Califórnia, a Nvidia também apresentou novos produtos. A empresa anunciou a inclusão de um chip desenvolvido com tecnologia adquirida da startup Groq, iniciativa que, segundo a companhia, deve aumentar a velocidade de resposta de sistemas de inteligência artificial.

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A Nvidia também revelou um computador baseado em CPUs de uso geral (unidades centrais de processamento), marcando uma nova expansão em um segmento historicamente dominado pela Intel Corp. Segundo Huang, a oportunidade no mercado de CPUs representa “com certeza” um negócio multibilionário.

O lançamento de produtos no GTC faz parte da estratégia da Nvidia de promover a computação em inteligência artificial e manter a fidelidade dos clientes à sua tecnologia. A empresa utiliza o evento para anunciar parcerias com companhias de diversos setores, buscando demonstrar os ganhos crescentes proporcionados pela IA.

“A demanda por computação aumentou 1 milhão de vezes nos últimos dois anos”, disse Huang durante o evento. “Essa é a sensação que todos nós temos. É a sensação que toda startup tem.”

Uma onda de investimentos em chips voltados à inteligência artificial transformou a Nvidia na empresa mais valiosa do mundo. Ainda assim, investidores vêm buscando evidências de que o crescimento desse mercado seguirá forte.

A companhia também enfrenta competição crescente, tanto de rivais como a Advanced Micro Devices (AMD) quanto de clientes que passaram a desenvolver chips próprios para aplicações de IA.

Nos últimos anos, a Nvidia acelerou o desenvolvimento de sua tecnologia. A empresa tenta renovar toda a sua linha de produtos anualmente, enquanto adiciona novos componentes ao portfólio.

O próximo design de seus principais processadores de inteligência artificial, previsto para aparecer em sistemas no segundo semestre de 2026, se chama Vera Rubin. A linha recebeu esse nome em homenagem à astrônoma pioneira cujas observações ajudaram a comprovar a existência da matéria escura.

Embora continue registrando um crescimento de vendas invejado pela indústria de semicondutores, a valorização das ações da Nvidia perdeu força nos últimos meses. Antes da apresentação no GTC, os papéis acumulavam queda de 3,4% no ano, deixando o valor de mercado da companhia ainda assim em US$ 4,4 trilhões, sem rivais no ranking global.

Durante o evento, Huang também anunciou que o Groq 3 LPU passará a integrar o catálogo de produtos da Nvidia. Um LPU (Language Processing Unit) é um chip especializado em acelerar a inferência de grandes modelos de linguagem, processo responsável por gerar respostas a comandos de inteligência artificial.

Esses semicondutores contam com memória rápida integrada, o que permite gerar texto quase instantaneamente. A Nvidia oferecerá o chip como coprocessador, complementando o trabalho realizado por seus aceleradores tradicionais, que são mais eficientes em tarefas complexas e com múltiplas etapas.

Em dezembro, a Nvidia anunciou um acordo de licenciamento tecnológico com a Groq, que lhe garantiu o direito de usar determinadas tecnologias e projetos da startup. Embora a empresa continue existindo, seus fundadores e grande parte da equipe de engenharia passaram a integrar a Nvidia em uma operação que, na prática, funcionou como uma aquisição.

A Nvidia acelerou o trabalho de engenharia iniciado pela Groq para levar o produto ao mercado mais rapidamente. O chip será fabricado pela Samsung Electronics, e os sistemas baseados nessa tecnologia devem chegar no segundo semestre, segundo Huang.

A fabricante também afirmou que seu próximo processador, Vera, terá desempenho superior ao das CPUs anteriores. À medida que os data centers voltados à inteligência artificial se tornam mais complexos, cresce a importância da coordenação entre diferentes tipos de computadores e softwares — função tradicionalmente desempenhada pelas CPUs.

Segundo a Nvidia, o Vera reunirá características de CPUs usadas em data centers, computadores para jogos e laptops. O chip será capaz de lidar com múltiplas entradas simultaneamente, além de processar rapidamente tarefas complexas individuais. A empresa também afirma que o novo processador consumirá menos energia.

A companhia pretende ainda começar a vender computadores formados exclusivamente por CPUs, uma nova abordagem para a fabricante de chips. Essas máquinas poderão funcionar em conjunto com outros sistemas da Nvidia ou operar de forma independente.

A empresa expandiu sua atuação além das tradicionais GPUs (unidades de processamento gráfico), usadas para treinar e executar softwares de inteligência artificial. Hoje, a Nvidia oferece sistemas completos de computação, incluindo processadores, redes e softwares.

A fabricante também disponibiliza modelos de inteligência artificial e outras ferramentas de software em código aberto, permitindo que clientes adaptem a tecnologia conforme suas necessidades. A companhia ainda cria versões específicas para determinados setores, buscando acelerar a adoção de IA em áreas que considera promissoras para transformação.

A Nvidia entrou no mercado de computação para data centers oferecendo versões adaptadas de seus chips gráficos para acelerar certos tipos de processamento. Com o tempo, esse tipo de chip passou a superar o domínio tradicional das CPUs vendidas por Intel e AMD.

Apesar de ter se tornado de longe a maior fornecedora de chips usados em data centers, o amadurecimento do software tem levado muitas empresas a considerar o uso de CPUs para executar serviços de IA já treinados nos aceleradores especializados.

As CPUs costumam ser mais baratas, versáteis e menos intensivas em consumo de energia, o que as torna atrativas para determinadas aplicações.

Até agora, a Nvidia oferecia suas CPUs apenas integradas a outros chips da própria empresa. Em um acordo recente com a Meta Platforms, a companhia indicou que está pronta para vender seus processadores como produtos independentes.

Uma oferta mais ampla de CPUs pela Nvidia pode representar mais um desafio para a Intel, em um de seus mercados mais lucrativos. Ao mesmo tempo, aumenta a concorrência para iniciativas internas de empresas como a Amazon, que desenvolve a linha de chips Graviton.

O SoftBank e sua afiliada Arm Holdings também vêm ampliando sua atuação nesse segmento. Embora a Arm possa se beneficiar da entrada da Nvidia nesse mercado — já que licencia tecnologia para a empresa — essa receita pode ser menor do que a obtida com a venda direta de seus próprios projetos e chips.

© 2026 Bloomberg L.P.

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