10 de abril de 2026

​Oncoclínicas tem perda bilionária e questões sobre continuidade operacional; ação cai 

Desempenho foi impactado pela queda da receita, refletindo redução de volumes, em meio à estratégia recente de diminuir a exposição a pagadores de menor qualidade
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A Oncoclínicas (ONCO3), cujas ações chegaram a cair 17% na última quarta-feira após a companhia confirmar que avalia ir à Justiça para se proteger da cobrança de credores, reportou resultados do 4T25 abaixo do esperado. O prejuízo por ação ajustado (participação majoritária) foi de R$ 0,82, ante R$ 0,17 no mesmo período do ano passado, sendo pior do que as estimativas do consenso de prejuízo ajustado de R$ 0,21 por ação. O prejuízo líquido foi de R$ 1,52 bilhão no quarto trimestre de 2025 ante um prejuízo líquido de R$ 759,2 milhões no mesmo período de 2024.

Por volta das 14h (horário de Brasília), os papéis da empresa recuavam 1,48%, a R$ 1,33, após terem chegado a cair 10,37% no início da sessão, a R$ 1,21.

Segundo o JPMorgan, o desempenho mais fraco foi impulsionado pela queda da receita, refletindo redução de volumes, em meio à estratégia recente de diminuir a exposição a pagadores de menor qualidade, que exigem prazos mais longos de pagamento. O banco também avalia que limitações no balanço têm restringido os volumes de atendimento, diante de oferta limitada de medicamentos.

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Com isso, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado caiu cerca de 45% na comparação anual, para R$ 138 milhões, ficando 31% e 40% abaixo das estimativas do JPMorgan e do consenso, respectivamente.

Já o Goldman Sachs destacou que os resultados da Oncoclínicas foram novamente fortemente impactados por eventos não recorrentes, incluindo impairments em unidades operacionais (R$ 711 milhões) e baixa de investimentos de curto prazo (equivalentes de caixa) no valor de R$ 214 milhões.

Segundo o Goldman, a dívida líquida foi beneficiada de forma não orgânica pelos recursos do aumento de capital, além da antecipação de recebíveis e do adiamento de pagamentos, o que gerou uma melhora pontual de 24 dias no capital de giro na comparação trimestral. Ainda assim, a companhia ultrapassou os limites de covenants, atingindo alavancagem de 4,3 vezes nessa metodologia, o que a levou a solicitar waivers aos detentores de títulos.

Dúvida sobre a continuidade operacional

Além do resultado fraco, os auditores independentes destacaram o capital de giro negativo de R$ 2,3 bilhões, principalmente em função do descumprimento de covenants financeiros em contratos de dívida. O evento levou à reclassificação de dívidas de longo prazo para o curto prazo, já que os credores passam a ter o direito de exigir o vencimento antecipado dessas obrigações.

Essas condições, combinadas a outros fatores, indicam uma incerteza relevante que pode “levantar dúvidas significativas sobre a capacidade da companhia de continuar operando”, segundo a própria empresa, especialmente diante da ausência de geração de fluxo de caixa livre.

Para JPMorgan, a continuidade do negócio depende fortemente de apoio externo, como uma potencial transação com Porto (PSSA3) e Fleury (FLRY3), que têm interesse na continuidade das operações da companhia.

Com o papel negociando a cerca de 7 vezes EV (valor da empresa)/Ebitda estimado para 2026, o JPMorgan mantém recomendação underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda).

O Goldman reiterou recomendação neutra para ONCO3, com preço-alvo de R$ 3,50 em 12 meses, baseado em metodologia de fluxo de caixa descontado (FCFF) em horizonte de 10 anos, com custo médio ponderado de capital (WACC) de 12% e crescimento na perpetuidade de 4,5%.

O BTG Pactual também tem recomendação neutra e destacou que, de forma geral, a Oncoclínicas segue como uma tese de investimento desafiadora, considerando a elevada alavancagem e os riscos de execução relacionados à estabilização das operações e ao controle da queima de caixa. “Embora existam discussões e iniciativas em andamento para endereçar a situação financeira da companhia, a visibilidade ainda é limitada tanto em relação à reestruturação quanto a potenciais soluções”, aponta.

Alternativas

Na última quarta-feira, a Oncoclínicas confirmou que avalia ir à Justiça para se proteger temporariamente da cobrança de credores. Segundo a companhia, a medida cautelar é um “desdobramento” das discussões com as instituições financeiras e investidores com as quais a rede tem dívidas em aberto.

Em fato relevante, a rede afirmou que há risco de descumprimento de índices financeiros, referentes ao exercício de 2025, que balizam contratos firmados com bancos e também debêntures emitidas a investidores — o que abriria margem para uma possível execução dos débitos pelos credores.

Outra alternativa seriam aportes de acionistas. Uma das propostas na mesa seria um aporte do grupo Porto Seguro de R$ 500 milhões. Um termo não vinculante de exclusividade entre as duas empresas foi assinado em 13 de março e segue sob análise. O acordo prevê a criação de uma nova empresa para onde seriam migradas as clínicas de oncologia (outras operações da Oncoclínicas ficariam de fora).

A NewCo, nome desenhado para o negócio, ficaria sob controle da Porto, que teria pelo menos de 30% do capital do negócio. Parte da dívida atual da Oncoclínicas poderia ser transferida para essa nova empresa. A proposta ainda está em negociação, que tem previsão de durar até o dia 13. Até lá, a Oncoclínicas não pode negociar tratativas com outros atores.

A nova empresa também poderia emitir debêntures conversíveis em ações ordinárias, em colocação privada, no valor total de R$ 500 milhões. Os títulos seriam subscritos pela Porto, teriam prazo de 48 meses e remuneração equivalente a 110% do CDI. A Oncoclínicas também poderá participar da subscrição.

Cerca de uma semana depois, a Oncoclínicas veio a público confirmar um aditivo ao termo não vinculante assinado com a Porto, que previa a entrada do grupo de medicina diagnóstica Fleury no negócio.

Outra possibilidade é uma oferta de R$ 500 milhões do Mak Capital Fundo, fundo de investimentos americano que têm 6,3% dos papéis da companhia. O aporte, porém, está condicionado a convocação de uma assembleia geral extraordinária para, entre outras medidas, tratar da destituição dos membros do conselho de administração. A sessão está prevista para o dia 30 de abril.

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