Para driblar a alta dos insumos, marcas antecipam a chegada dos ovos às gôndolas e apostam em parcerias licenciadas para garantir o faturamento do ano
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A temporada mais doce e lucrativa para o mercado de chocolates, a Páscoa, está a pleno vapor. Para captar a atenção do consumidor, a estratégia da indústria neste ano incluiu a antecipação das vendas online e dos produtos nas gôndolas, o aumento da variedade de opções e a aposta em “collabs” – parcerias entre marcas para impulsionar os produtos com itens colecionáveis e licenciados.
Neste ano, a indústria está colocando na praça 700 produtos de Páscoa – 14% a mais que em 2025, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab). O desafio será atrair o consumidor em meio à alta da inflação e dos preços dos insumos – já que a recente queda na cotação do cacau e açúcar ainda não refletiu na indústria.
O peso do ciclo de produção
O principal motivo para a estabilidade dos preços, mesmo com o alívio recente nas cotações das matérias-primas, é o longo ciclo de produção inerente à indústria chocolateira. O planejamento fabril e a compra de insumos ocorrem com grande antecedência, momento em que o cenário de custos era outro.
Na Cacau Show, por exemplo, o planejamento da Páscoa tem início com 17 meses de antecedência. Devido ao alto volume e para atender a demanda antecipada, a produção dos produtos da marca começou ainda no final do ano passado.
Ovo de Páscoa da Cacau Show. (Foto: Divulgação)
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Segundo a fabricante, diante do cenário desafiador do preço da matéria-prima, o foco foi absorver o máximo possível dos impactos por meio de planejamento, eficiência operacional e escala, repassando ao consumidor apenas o mínimo necessário. Como resultado, a Cacau Show não alterou a gramatura de seus produtos.
A empresa afirma que aplicou um reajuste médio em torno de 4%, índice alinhado à variação do IPCA no período, o que permitiu manter opções acessíveis a partir de R$ 9,99.
Seguindo um caminho de reposicionamento e foco em competitividade, a Kopenhagen também ajustou os valores de produtos-chave para ampliar o acesso, passando a oferecer ovos a partir de R$ 89,90. Para justificar o valor agregado e não afastar o público, a marca reestruturou seu portfólio em oito categorias e reforçou a linha “Clássicos” (que reúne ícones como Língua de Gato e Nhá Benta).
“Ao equilibrar tradição e novidade, conseguimos fortalecer nossa proposta de valor e criar motivos reais para que as pessoas entrem em nossas lojas e vivenciem a marca de forma completa”, afirma Pedro Velardo Neto, Head de Marketing da Kopenhagen.
Ovo de Páscoa antes do Carnaval
Diante do alto custo dos insumos e dos reajustes de preços, a indústria se antecipou. Para diluir o peso no bolso e garantir o faturamento, as companhias apostaram em colocar os produtos na rua mais cedo, estimulando compras complementares e diluídas ao longo da temporada.
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A Nestlé e a Garoto, que produziram juntas mais de 174 milhões de itens presenteáveis e ovos para abastecer 500 mil pontos de venda, iniciaram as vendas e a exposição no começo de janeiro, adequando-se a um calendário mais curto para a Páscoa deste ano – ou seja, já tinha ovo de Páscoa disponível para consumo antes mesmo dos tamborins tocarem no pré-Carnaval.
Ovo Clássicos kopenhagen (Foto: Divulgação)
Juntas, as marcas oferecem 17 opções de ovos e projetam um crescimento de duplo dígito para 2026. Além dos ovos, a grande aposta do conglomerado para antecipar o consumo são os tabletes recheados, linha que agora ganha o reforço do sabor Galak
A Cacau Show apostou em um movimento similar. A marca abriu uma pré-venda online na segunda quinzena de janeiro, antecipando o acesso a linhas licenciadas muito desejadas, como Batman, One Piece e Harry Potter — este último trazendo como brinde um chapéu seletor que se mexe e emite a voz original dos filmes.
A ação registrou um engajamento tão forte que alguns itens esgotaram em poucos minutos, segundo Lilian Rodrigues, diretora de marketing da Cacau Show. Após esse período, já no início de fevereiro, o portfólio passou a ser disponibilizado nas lojas físicas e no e-commerce da rede.
‘Collabs’: variedade e força de parcerias
Ovo de Páscoa da Cacau Show. (Foto: Divulgação)
Além do tempo extra nas prateleiras, a grande arma do setor para 2026 são as chamadas collabs (colaborações e licenciamentos). Os números do ano anterior provam a eficácia da tática: na Páscoa de 2025, os ovos recheados em parceria da Brasil Cacau cresceram a duplo dígito, impulsionando a marca a um salto histórico de 40% nas vendas totais.
Para repetir a dose, a Brasil Cacau, que conta com 38 produtos em seu portfólio (sendo 18 lançamentos), fez das parcerias sua principal estratégia e uniu forças com nomes como Turma da Mônica, Nesquik, Fini, KitKat, Charge, Lollo e Alpino.
“As collabs são hoje uma das principais alavancas de crescimento da Brasil Cacau. Por meio delas, a marca amplia a inovação do portfólio, alcança novos públicos e expande sua presença em diferentes momentos de consumo ao longo do ano”, explica Marcos Freitas, Head de Marketing da Brasil Cacau. “A estratégia busca gerar mais ocasiões de compra e transformar a Páscoa em uma experiência mais plural, que vai do consumo individual ao presente com valor afetivo”, diz o executivo.
A concorrência segue a mesma toada criativa. A Kopenhagen projeta que a chegada das linhas Fofolete, Emily in Paris, Wandinha e Cerejinha — que se unem às bem-sucedidas parcerias com Paris Saint-Germain, Manchester City e Moranguinho — impulsione em até 30% o avanço exclusivo da sua categoria de licenciados em relação ao ano passado. Para o público adulto, a marca inova com o lançamento do sabor Pipoca.
No fim, a estratégia das gigantes do mercado se cruza: antecipar o desejo do consumidor com produtos criativos, embalagens que viram presentes e recheios inovadores para entregar valor e manter o aquecimento das vendas, mesmo com a alta de preços, para a data mais importante do chocolate no ano.
Collab com Fofolete para a Páscoa de 2026 (Foto: Divulgação)
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