9 de março de 2026

​PGBL pode gerar economia de até R$ 4,3 bilhões no Imposto de Renda em 2026 

Cálculo da XP mediu o impacto do benefício fiscal do plano de previdência; modalidade permite deduzir até 12% da renda tributável no modelo completo
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Brasileiros que investiram em planos de previdência privada do tipo PGBL podem gerar uma economia potencial de até R$ 4,3 bilhões no Imposto de Renda de 2026, segundo estudo da XP.

O cálculo considera os R$ 15,5 bilhões em aportes feitos na modalidade em 2025, segundo dados da Susep (Superintendência de Seguros Privados), órgão federal que regula e fiscaliza o setor.

O resultado leva em consideração que os investidores aplicaram até 12% da renda bruta tributável e que possuem uma alíquota de 27,5% — valor que pode variar conforme a renda individual.

Leia mais: Aposentadoria ou herança? Imposto pode mudar sua estratégia na previdência privada

O cálculo é simples: o valor investido em PGBL no ano passado (R$ 15,5 bilhões) é multiplicado pela alíquota de imposto (27,5%).

Assim, se todos os investidores que aplicaram nesse tipo de plano estivessem no teto de tributação e tivessem utilizado integralmente o limite de dedução, o montante potencial de imposto diferido seria:

R$ 15,5 bilhões × 27,5% = cerca de R$ 4,3 bilhões

Clara Sodré, analista de fundos da XP, afirma que o número representa uma estimativa teórica, pois nem todos os investidores estão na mesma faixa de imposto ou utilizam o limite máximo permitido.

“Esse valor considera um cenário em que o investidor aplicou até 12% da renda tributável e está na alíquota de 27,5%. Se ele estiver em uma faixa menor, a economia também será menor”, explica.

Leia também: PGBL ou VGBL: entenda as diferenças e o que avaliar para escolher

Segundo Sodré, o principal objetivo do estudo é aumentar a conscientização sobre o uso da previdência como instrumento de planejamento financeiro.

“Muitas pessoas olham para o PGBL apenas como investimento para aposentadoria, mas ele também pode ser um instrumento eficiente de planejamento tributário”, diz.

Embora o estudo mostre o impacto agregado no país, o benefício depende da renda e do valor investido por cada contribuinte.

Na avaliação de Sodré, a lógica pode ser entendida de forma simples: para cada R$ 1 investido dentro das regras do PGBL, o investidor pode economizar até cerca de R$ 0,27 em imposto, caso esteja na alíquota máxima.

O que é o PGBL?

PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) é um tipo de previdência privada bastante utilizado por contribuintes que fazem a declaração completa do IR.

O principal atrativo é o benefício fiscal no momento da contribuição.

A regra do PGBL permite que você desconte do cálculo do imposto o valor que investiu no plano, até o limite de 12% da sua renda bruta anual.

Ou seja, o investimento em PGBL diminui o valor da renda sobre a qual o imposto será calculado.

O imposto não deixa de existir. Ele é apenas postergado para o momento do resgate ou recebimento da aposentadoria, quando a tributação incide sobre o valor total acumulado, ou seja, no capital investido mais os rendimentos.

Leia mais: Previdência privada: como funciona, melhores planos e como planejar a aposentadoria

Veja como funciona o PGBL na prática

Imagine um contribuinte que tenha um salário bruto de R$ 10 mil por mês, o que representa cerca de R$ 123,3 mil por ano de renda tributável (incluindo décimo terceiro).

De forma simplificada, sem usar PGBL, o imposto seria calculado sobre os R$ 123,3 mil.

Agora suponha que essa pessoa invista em PGBL. O limite é 12% da renda. No exemplo, corresponde a R$ 14,8 mil.

Então ela pode investir até R$ 14,8 mil e usar esse valor para reduzir a base do imposto, ou seja, o imposto será calculado sobre R$ 108,5 mil, e não sobre os R$ 123,3 mil. O imposto que seria pago sobre os R$ 14,8 mil fica adiado para o futuro.

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Sodré reforça que o mecanismo transforma a previdência em uma ferramenta de planejamento tributário.

“Ao permitir a dedução da base de cálculo do imposto de renda no presente, o investidor posterga o pagamento do tributo para o momento do resgate ou do benefício, criando um potencial de economia fiscal relevante ao longo do tempo”, afirma.

Enquanto isso, o valor que seria pago ao Leão pode ficar parado na conta, capturando o efeito de juros compostos na multiplicação de retorno.

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