20 de março de 2026

​Plano de Durigan prevê ajuste em comunicação e atuação cautelosa em temas espinhosos 

Novo ministro da Fazenda assume pasta com a saída de Fernando Haddad (PT) para disputar as eleições em São Paulo
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(Reuters) – Os nove meses de gestão em ano eleitoral do ⁠novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, incluirão um ajuste de comunicação para demonstrar foco em desenvolvimento ⁠econômico e devem priorizar a negociação de medidas microeconômicas no Congresso Nacional, enquanto a pasta adia temas tributários espinhosos, disseram à ‌Reuters duas fontes do governo.

A pasta decidiu “segurar” agendas que considera importantes, mas têm potencial de gerar turbulência no Legislativo e na opinião pública, incluindo o fim da isenção tributária para títulos de investimento, a regulamentação do Imposto Seletivo que incidirá sobre bens nocivos à saúde e ao meio ‌ambiente e a taxação de criptoativos, afirmaram as autoridades sob condição de anonimato.

As discussões de medidas serão feitas com cautela e estratégia, segundo as fontes, em um contexto em que o Congresso vive tensões com o escândalo envolvendo o Banco Master já de olho nas eleições — que historicamente reduzem o ritmo de trabalho no Legislativo e, ao mesmo tempo, ampliam o ímpeto dos parlamentares de discutir medidas populares com custo fiscal.

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Após ter falhado em aprovar no ano passado o fim da isenção tributária para títulos como LCI e LCA, a Fazenda quer novamente apresentar a medida, mas uma das fontes reconheceu que ⁠o tema ‌poderia ficar para um eventual novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a partir de 2027.

A equipe econômica considera que o benefício ⁠distorce o mercado de investimentos, com papéis como letras de crédito e certificados de recebíveis concorrendo em condição de vantagem com títulos públicos.

“Segue no radar, é preciso avaliar esses temas porque eles geram distorções regulatórias… É preciso conduzir com cuidado porque os ânimos estão à flor da pele em Brasília”, afirmou.

No caso do Imposto Seletivo, aprovado na reforma tributária e que passará a valer a partir de janeiro em substituição ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o governo precisa definir alíquotas e quais produtos serão atingidos.

Segundo uma das fontes, o tema será tratado ​em medida provisória, mas a edição não será feita neste momento e o objetivo é discutir e votar o mérito do texto apenas após as eleições presidenciais de outubro.

“A preocupação não é com o impacto que vai ter ou não nas eleições, é como não queimar ​o cartucho no Congresso. Se apresentarmos agora uma discussão de Imposto Seletivo e houver uma repercussão grande, com a direita espalhando fake news, de repente a gente poderia não conseguir votar neste ano”, argumentou.

Em outra frente, a taxação de criptoativos também não deve ser publicada neste momento, segundo as fontes, após o Banco Central ter equiparado essas movimentações a operações cambiais e a Fazenda ter elaborado uma consulta pública que seria um primeiro passo para implementar a cobrança.

A agenda legislativa de Durigan incluirá pautas microeconômicas, como o projeto já em tramitação com regras de atuação de reguladores ‌sobre instituições financeiras em crise. O texto poderá avançar, segundo uma das fontes, depois que o governo ​retirou trecho que previa ajuda do Tesouro Nacional a bancos, ponto que gerou atrito diante dos problemas envolvendo Banco Master e Banco de Brasília (BRB).

A pauta ainda inclui a regulação econômica das “big techs”, e a reedição do programa de atração de investimentos em data centers, que dependerá de uma exceção em regras fiscais. Uma das autoridades também afirmou que a ⁠pasta avalia iniciativas na área de crédito.

A Fazenda também quer ​estimular o debate sobre o fim dos ​supersalários no serviço público, com uma das fontes defendendo que seja criada uma lista restrita de rendimentos que podem ser pagos fora do limite remuneratório do serviço público, além de ⁠um percentual máximo de valor que poderia ser recebido acima do teto.

Durigan, que era ​secretário-executivo da Fazenda, tomou posse como ministro nesta sexta-feira, após Fernando Haddad deixar o cargo para concorrer ao governo de São Paulo nas eleições. Está prevista para segunda-feira uma reunião com os secretários da pasta para alinhamento dos planos.

COMUNICAÇÃO

Com a saída de Haddad, alvo constante de críticas de opositores por conta de iniciativas de aumento ​de impostos, com políticos de direita disseminando em redes sociais o apelido de “Taxad”, Durigan deve buscar um ajuste de comunicação na pasta em meio aos debates eleitorais, disseram as fontes.

Uma delas destacou que o presidente Lula pediu que Durigan seja a “nova ​cara da economia”, mas mantendo a defesa de ⁠responsabilidade fiscal e justiça social.

Segundo ela, a pasta vai priorizar o tema do desenvolvimento econômico e sinalizar caminhos para um “futuro próspero”. A estratégia prevê ênfase em debates sobre melhora do ambiente de negócios, ⁠inovação, eficiência e ganho de produtividade, temas caros ao mercado financeiro e à direita, ainda que mantendo o “compromisso progressista” do governo, disse.

Lula deve tentar a reeleição neste ano, disputando votos de centro e da direita com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está inelegível e cumpre pena em regime fechado após ter sido condenado no STF por tentativa de golpe.

De acordo com uma das fontes, a agenda de desenvolvimento foi tratada de forma pulverizada em ministérios temáticos nos três anos de governo e a Fazenda deve promover, a partir de agora, uma coordenação para que haja um plano consolidado do governo nessa ​área.

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