Custos dos insumos atingiu o nível mais alto em 18 meses
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SÃO PAULO, 1 Abr (Reuters) – A atividade da indústria do Brasil sentiu em março o impacto da guerra no Oriente Médio, com a inflação dos custos dos insumos atingindo o nível mais alto em 18 meses, embora a recuperação das exportações tenha ajudado a atenuar o ritmo de contração, de acordo com uma pesquisa do setor privado divulgada nesta quarta-feira.
O Índice de Gerentes de Compras (PMI) da indústria brasileira, compilado pela S&P Global, subiu a 49,0 em março, de 47,3 em fevereiro. Esse foi o 11º mês seguido em que o setor registrou contração, com o índice abaixo da marca de 50, mas o ritmo da queda foi o menor desde maio do ano passado.
PMI: Indústria da China expande em março, mas pressões sobre os preços aumentam
O Índice de Gerentes de Compras (PMI) de Indústria da RatingDog China, compilado pela S&P Global, caiu para 50,8 em março, de 52,1 em fevereiro
A intensificação das pressões sobre os custos no mês foi associada pelos participantes da pesquisa à guerra no Oriente Médio, iniciada no final de fevereiro, e à alta dos preços internacionais do petróleo.
Buscando proteger as margens de lucro, os fabricantes aumentaram novamente seus preços de venda em março.
‘Justamente quando o Banco Central reduziu as taxas de juros pela primeira vez em quase dois anos, a alta nos preços internacionais do petróleo e a guerra em curso no Oriente Médio elevaram significativamente as pressões sobre os custos ao seu nível mais alto desde setembro de 2024’, disse Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence.
‘Os clientes sentirão o impacto imediatamente, pois os fabricantes aceleraram os aumentos de preços em um esforço para proteger suas margens. Isso pode enfraquecer ainda mais a demanda, especialmente porque as empresas relataram que o poder de compra limitado dos consumidores finais está afetando negativamente as carteiras de pedidos.’
O BC reduziu a taxa básica de juros Selic este mês para 14,75%, mas pregou cautela diante do conflito no Oriente Médio.
A produção do setor industrial brasileiro diminuiu em março, mas foi a queda menos acentuada desde outubro passado. Alguns participantes da pesquisa indicaram que os esforços de reposição de estoques impulsionaram o crescimento em suas unidades.
A guerra no Oriente Médio também incentivou algumas empresas a se concentrarem na recomposição dos estoques de contingência.
Os novos pedidos diminuíram no mês, com as empresas citando demanda fraca e a guerra no Oriente Médio, bem como orçamentos restritos dos clientes e o poder de compra limitado dos consumidores. No entanto, o ritmo de redução foi o mais lento desde dezembro passado.
Os dados do PMI apontaram que sinais tímidos de recuperação nas vendas internacionais limitaram a queda geral no volume total de novos negócios. Após registrarem quedas em cada um dos 11 meses anteriores, os pedidos do exterior permaneceram amplamente estáveis, mostrou a pesquisa, uma vez que as tarifas dos Estados Unidos teriam permitido que algumas empresas acessassem novos mercados. No entanto, houve menções a uma queda nas vendas para a Argentina e a China.
Os empregos em fábricas aumentaram pelo segundo mês consecutivo em março, com as empresas destacando iniciativas de formação de estoques.
As empresas ainda mantiveram uma visão otimista em relação às perspectivas de crescimento, mas o nível geral de confiança caiu para o menor nível em 11 meses em março em meio a preocupações com a concorrência, a guerra no Oriente Médio e a incerteza que as eleições deste ano podem trazer.
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