Fernando Giacobo afirma que decisão ocorreu por conta das críticas do ex-juiz ao governo Bolsonaro quando deixou o Ministério da Justiça
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A filiação do senador Sergio Moro ao PL para disputar o governo do Paraná provocou a saída do deputado federal e então presidente estadual da sigla Fernando Giacobo. O parlamentar argumenta que deixou o partido, após 24 anos, por ser “coerente”, diante das críticas feitas por Moro ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao deixar o Ministério da Justiça em 2020.
— Sou coerente. Não tenho como ficar no palanque de um homem que saiu da pasta com o discurso de que Bolsonaro é corrupto. Se o Valdemar (Costa Neto) e os outros dirigentes esquecem fácil as coisas, não tenho como ficar ao lado deles — defende Giacobo.
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O deputado afirma ainda que a filiação de Moro descumpre um acordo firmado pelo PL e chancelado por Bolsonaro com o governador Ratinho Junior (PSD). Enquanto o PL apoiaria o candidato à sucessão chancelado por Ratinho, o governador teria Felipe Barros (PL) como nome ao Senado em sua chapa.
Giacobo é pré-candidato à reeleição na Câmara e não tem partido definido. Já Barros anunciou que assumirá a presidência do PL por decisão de Valdemar, presidente nacional da sigla.
Moro se filiou ao PL na terça-feira, em Brasília, durante evento com a presença de Valdemar, e do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, que atuou na articulação. A chapa de Moro no Paraná deverá ter como candidatos ao Senado o ex-deputado e ex-coordenador da força-tarefa da Lava-Jato Deltan Dallagnol e Barros.
A união dos dois expoentes da Lava-Jato ocorreu em auditório do outro lado da rua do Posto da Torre, onde começou a operação. Em março de 2014, há exatos 12 anos, viaturas da Polícia Federal cumpriram mandados no local.
Em discurso, Moro fez críticas ao governo Lula e buscou se aproximar do eleitorado bolsonarista ao lembrar que apoiou Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022. Segundo ele, o cenário atual superou as expectativas negativas que tinha à época.
— Sabia que iria descer uma sombra sobre o país, e essa sombra foi pior do que imaginava: economia desorganizada, taxas prejudicando a iniciativa privada. A roubalheira voltou — afirmou.
Da saída do governo aos acenos por reaproximação
Moro deixou o governo Bolsonaro em abril de 2020 com críticas a exoneração do diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, que havia sido escolhido por ele para o cargo e era considerado seu braço-direito.
Moro, que ganhou projeção nacional como juiz de primeira instância da Lava Jato no Paraná, deixou a magistratura para assumir o cargo no governo Bolsonaro com alta popularidade e protagonismo — além de promessa de autonomia e status de “superministro”, na pasta que uniu Justiça e Segurança Pública. No discurso de saída, o agora senador lembrou que havia recebido promessa de “carta branca” para atuar no combate ao crime organizado e ao desvio de dinheiro público.
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No entanto, passado cerca de um ano e meio de governo, acumulou recuos, derrotas e polêmicas, como o vazamento de trocas de mensagens com procuradores da Lava Jato, a perda de controle de seu ministério sobre o antigo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), e a desidratação de seu pacote anticrime.
O ex-juiz passou de membro do governo à oposição, sem deixar de lado o antipetismo. O jogo virou em 2022, quando Moro optou por apoiar Jair Bolsonaro contra Lula. Ele chegou a participar de um debate ao lado do então presidente.
Desde então, o senador deu sinais públicos de uma tentativa de reaproximação do bolsonarismo. Em setembro do ano passado, por exemplo, Moro citou dúvidas razoáveis” e disse ver “penas excessivas” contra Jair Bolsonaro ao criticar a condenação do ex-mandatário pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A Corte fixou uma pena de 27 anos e 3 meses pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado.
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