Pesquisa mostra avanço da percepção negativa sobre os EUA
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A percepção dos brasileiros sobre os Estados Unidos se deteriorou nos últimos meses e passou a ser majoritariamente negativa, segundo levantamento Genial/Quaest divulgado nesta sexta-feira (13). O movimento ocorre em meio ao aumento da exposição política de Donald Trump no debate sobre a eleição brasileira de 2026.
Segundo a pesquisa, 48% dos entrevistados dizem ter uma opinião desfavorável sobre os Estados Unidos, enquanto 38% afirmam ter uma avaliação positiva. O resultado representa uma mudança relevante em relação a momentos anteriores do levantamento.
Em outubro de 2023, por exemplo, o cenário era inverso: 56% dos brasileiros tinham imagem favorável do país e apenas 25% declaravam percepção negativa. A deterioração da imagem americana, segundo a pesquisa, aparece de forma generalizada no país, atingindo todas as regiões e faixas de renda.
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O avanço das opiniões negativas ao longo do último ano sugere uma reconfiguração da percepção pública sobre o país, em um momento marcado por tensões políticas e maior presença do tema nas disputas domésticas.
Efeito eleitoral do apoio de Trump
A pesquisa também testou o impacto que um eventual apoio do presidente americano Donald Trump ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poderia ter na eleição presidencial.
Os resultados indicam que o gesto teria efeitos distintos entre diferentes grupos de eleitores. Para 28% dos entrevistados, o apoio aumentaria as chances de votar em Flávio Bolsonaro. Já 32% afirmam que esse cenário aumentaria a probabilidade de voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Outros 19% dizem que a manifestação de Trump elevaria a chance de escolher um candidato alternativo que não fosse nem Lula, nem o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Bases eleitorais permanecem estáveis
Os dados sugerem que o impacto do apoio externo tende a reforçar preferências políticas já consolidadas entre os eleitores.
Entre aqueles que disseram que o gesto de Trump aumentaria as chances de votar em Flávio Bolsonaro, 80% se identificam como bolsonaristas e 59% como eleitores de direita não alinhados diretamente ao ex-presidente. Apenas 16% desse grupo se declara independente.
No caso dos entrevistados que afirmam que o apoio de Trump aumentaria a probabilidade de voto em Lula, 79% se identificam como lulistas e 69% como eleitores de esquerda que não necessariamente se definem como apoiadores diretos do presidente. Entre independentes, esse percentual é de 19%.
Na prática, os números indicam que o apoio de Trump tende a mobilizar principalmente os eleitores já posicionados em cada campo político, com impacto mais limitado sobre o eleitorado que ainda não tem preferência definida.
O levantamento Genial/Quaest foi realizado entre os dias 6 e 9 de março. Foram entrevistados presencialmente 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais em diferentes regiões do país. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
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