16 de abril de 2026

​Quase 1/3 dos brasileiros não têm nenhuma reserva financeira, diz estudo da Anbima 

Raio X do Investidor mostra que somente 24% tinham economias para mais de seis meses, porém mais pessoas investiram em 2025
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O total de brasileiros adultos sem reservas financeiras era de 31% no fim do ano passado, quase um terço da população e, dos que tinham alguma economia, apenas 15% tinham recursos suficientes para durar de seis meses a um ano, mostra a 9ª pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro, realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais em parceria com o Datafolha.

A pesquisa levou em conta os brasileiros com 16 anos ou mais e foi feita no fim de 2025. A maioria dos que não tinham nenhuma reserva são os mais velhos, da geração X, entre 45 e 64 anos, seguidos dos Millennials, com 30 a 44 anos, com 28%.

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Fôlego curto

O levantamento mostrou também que 10% dos entrevistados tinham recursos suficientes para uma semana e outros 10%, somente para um mês. Somados, os que não têm economias, ou tem apenas para uma semana ou um mês de reserva representam 51% da população.

Os que possuem reservas entre seis meses e um ano são 15%; de um ano a dois, 6%; e acima de cinco anos, 3%. Somados, esses percentuais indicam que somente 24% da população possui economias suficientes para mais de seis meses.

Menos investidores no geral

Segundo o Raio X, o percentual de pessoas que investem recuou, de 37% no fim de 2024 para 36% em 2025, com 60,6 milhões de investidores, mas dentro da margem de erro da pesquisa, de um ponto para cima ou para baixo. Já os que não investem, 63% da população, chegam a 107,7 milhões.

A boa notícia é que o porcentual de pessoas que disseram ter investido em 2025 cresceu para 24%, ante 22% em 2024. Já os que investiram em produtos financeiros caíram de 11% em 2024 para 10% em 2025, também na margem de erro.

Muitos entrevistados não consideram investimento apenas aplicações financeiras, lembra Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima. “Muitos veem o negócio próprio, o salão de cabelereiro, ou o carro para revender também como investimento”, observa.

Dos 60,6 milhões que investem, 46,1 milhões pretendem continuar aplicando este ano, enquanto 14,5 milhões deixarão de investir.

Em compensação, 23,3 milhões que não investem disseram que pretendem começar a investir em 2026, o que significaria um aumento de 8,7 milhões no total de investidores, para 69,3 milhões, se cumprirem o compromisso.

Bets seguem crescendo

Se muitos não investem ou pretendem deixar de investir, a pesquisa mostra que interesse pelas Bets segue aumentando. Dos entrevistados, 17% afirmam que apostam em Bets, ante 15% em 2024 e 14% em 2025, reforçando uma tendência de crescimento.

Os que mais apostam são da Geração Z, com 27% do total, seguidos pelos Millennials, com 22%, e a Geração X, com 10%. Entre os mais velhos, os Boomers, apenas 4% apostam.   

Mais conhecimento financeiro

O aumento do conhecimento dos brasileiros sobre produtos financeiros deve ajudar no crescimento dos investidores neste ano. No total, 43% dos brasileiros afirmaram conhecer as opções de investimento, ante 37% em 2024. O porcentual é o maior da série histórica da pesquisa, iniciada em 2021 com 28% de conhecimento.

O investimento mais lembrado e mais usado pela população continua sendo a poupança, com 17% dos entrevistados afirmando que conhecem e 22% que a utilizam. Já os que pretendem continuar utilizando são 20% apenas, o que reforça os números de saída de investimentos da poupança, que vem perdendo depósitos há alguns anos.

“As maiores saídas são de investidores das classes A e B e os jovens”, afirma Billi. Em 2021, 34,49% dos investidores das classes A e B tinham poupança, porcentual que caiu para 28,81% no ano passado. Ele observa, porém, que muitas vezes as pessoas confundem poupança com outras aplicações e outras não consideram a caderneta como investimento, usando até como conta corrente.

Bitcoin é mais lembrado que imóvel

A segunda aplicação mais lembrada são os títulos privados, com 14% das respostas. As ações são citadas por 10% dos entrevistados, mas também apenas 2% investem e 4% pretendem investir. Fundos de investimento são lembrados por 9% e as moedas digitais são citadas por 8%. As criptos aparecem na lembrança dos investidores à frente dos imóveis, que têm 7%, dos títulos públicos, com 6%, e da previdência privada, com apenas 2%. Imóveis, porém, é o investimento que a maior parte dos entrevistados pretende fazer este ano, com 13%, atrás apenas dos 20% da poupança.

Poupança segue mais popular  

Entre os investimentos mais usados pelos brasileiros, a poupança segue como líder, com 22% dos entrevistados afirmado que têm a aplicação. Em seguida aparecem os títulos privados, com 7%, fundos de investimento, com 5%, e moedas digitais, com 4%. As criptomoedas superam com folga as ações, os títulos públicos e a previdência privados, todos na carteira de apenas 2% dos investidores.

IA já orienta investidores mais jovens   

Os investidores também estão se informando mais com influenciadores, com 35% afirmando que buscam se atualizar pelo You Tube e 27% no Instagram. Apenas 21% usam a televisão como fonte, 20% usam buscadores e 15% em portais e 15% em sites. Jornais e revistas ficam com 14% e podcasts, 13%.

A inteligência artificial também ganhou espaço neste ano, com 9% dos entrevistados citando que usam o recurso para aprender e se informar sobre investimentos. A maioria são jovens, com 49% da Geração Z usando IA, seguidos dos Millennials, com 36%.

A educação financeira também mostra influência sobre os investidores. Dos que afirmam ter algum conhecimento, 57% são investidores, enquanto entre os que dizem não ter educação financeira, apenas 31% investem. A diferença entre os que têm conhecimento financeiro também aparece na diversificação dos investimentos, com mais aplicações em títulos privados (16%), fundos (13%) e criptos (11%), enquanto os sem educação financeira se concentram em poupança, com 20%, seguida por títulos públicos, com 5%.

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