11 de março de 2026

​Raízen está perto de acordo com credores para reestruturação de dívida, diz Bloomberg 

Um acordo com os detentores da dívida pode ser fechado já nesta semana, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas porque a informação é confidencial
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(Bloomberg) – A Raízen (RAIZ4), produtora brasileira de açúcar e etanol, está perto de chegar a um acordo com seus principais credores para iniciar uma reestruturação extrajudicial da dívida, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Um acordo com os detentores da dívida pode ser fechado já nesta semana, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas porque a informação é confidencial. A empresa está em negociações com bancos há uma semana, e tanto a Raízen quanto seus credores reduziram as proteções cambiais que haviam sido implementadas para o pagamento da dívida denominada em dólares à medida que as negociações avançam, disseram as fontes.

A Cosan (CSAN3), coproprietária da Raízen por meio de uma joint venture com a Shell Plc, não está mais em negociações com a produtora de petróleo para resgatar a empresa, afirmou o CEO Marcelo Martins durante uma teleconferência sobre resultados na terça-feira. Os credores agora estão discutindo o futuro da Raízen com a Shell e as negociações estão em andamento, acrescentou.

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Ele disse que a companhia acredita que a evolução das ‌discussões sobre a Raízen ​possa trazer uma solução satisfatória para o mercado.

A Raízen afirmou na semana passada que poderia entrar em um processo de reestruturação extrajudicial em busca de uma solução para seus problemas de endividamento. Os acionistas Shell e Rubens Ometto, fundador da Cosan, concordaram em injetar um total de 4 bilhões de reais (US$ 777 milhões) na empresa como parte de uma proposta que inclui uma reestruturação mais ampla da dívida, podendo envolver a conversão de parte da dívida em ações, a extensão dos prazos de vencimento do saldo remanescente e a alienação de ativos não estratégicos.

É uma reviravolta drástica para aquela que já foi a principal produtora de biocombustíveis do Brasil. Os esforços anteriores para fortalecer a Raízen fracassaram depois que a Cosan e a Shell não chegaram a um acordo sobre o montante a ser investido na empresa.

Fundos de private equity geridos pelo Banco BTG Pactual, também envolvidos nas negociações, discordaram de vários termos propostos pela Shell e decidiram não prosseguir com o investimento, disse na semana passada uma pessoa familiarizada com o assunto.

Desde que o BTG se retirou das negociações, bancos e detentores de títulos intensificaram a análise da estrutura de capital da Raízen, disseram pessoas familiarizadas com o assunto, que pediram para não serem identificadas porque as conversas são privadas.

A Raízen, a Cosan e o BTG se recusaram a comentar. A Shell não respondeu ao pedido de comentário. Na semana passada, a Shell afirmou que está “ajudando a aliviar os desafios financeiros que a Raízen enfrenta atualmente” e propôs uma contribuição de 3,5 bilhões de reais como parte de uma solução estrutural.

Desde a semana passada, operadores de câmbio e gestores de fundos em todo o Brasil relataram uma onda significativa de “desfazimento” de posições de hedge ligadas a transações com a empresa. Os fluxos afetaram tanto a taxa de câmbio à vista quanto o chamado cupom cambial, a taxa de juros onshore do dólar implícita no mercado de swaps cambiais, amplamente utilizada como referência para o custo de proteção contra a exposição ao dólar.

O Valor Econômico noticiou anteriormente as reduções nas operações de hedge.

A Raízen vem sofrendo com as altas taxas de juros, safras mais fracas e investimentos vultosos que ainda não se pagaram. Essas dificuldades corroeram seu fluxo de caixa e fizeram com que seu endividamento disparasse. A empresa encerrou o ano passado com uma dívida líquida total de 55,3 bilhões de reais, um aumento de 43% em relação ao ano anterior. A alavancagem subiu para 5,3 vezes o lucro antes de itens como juros e impostos, ante 3 vezes no ano anterior.

Os títulos da empresa, já sob pressão, despencaram depois que ela mudou o tom em relação às possíveis negociações de reestruturação no início deste ano. As agências de classificação de risco se apressaram em rebaixar a classificação de grau de investimento para níveis extremamente altos, aprofundando a onda de vendas.

A dívida da Raízen com vencimento em 2034, que chegou a ser negociada acima de 80 centavos de dólar até fevereiro, está atualmente sendo negociada a cerca de 49,5 centavos de dólar, segundo dados da Trace. Os rendimentos estão em torno de 19% — abaixo do pico de 25% em fevereiro, mas ainda bem acima dos níveis considerados críticos nos mercados de crédito.

© 2026 Bloomberg LP

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