Um acordo com os detentores da dívida pode ser fechado já nesta semana, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas porque a informação é confidencial
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(Bloomberg) – A Raízen (RAIZ4), produtora brasileira de açúcar e etanol, está perto de chegar a um acordo com seus principais credores para iniciar uma reestruturação extrajudicial da dívida, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
Um acordo com os detentores da dívida pode ser fechado já nesta semana, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas porque a informação é confidencial. A empresa está em negociações com bancos há uma semana, e tanto a Raízen quanto seus credores reduziram as proteções cambiais que haviam sido implementadas para o pagamento da dívida denominada em dólares à medida que as negociações avançam, disseram as fontes.
A Cosan (CSAN3), coproprietária da Raízen por meio de uma joint venture com a Shell Plc, não está mais em negociações com a produtora de petróleo para resgatar a empresa, afirmou o CEO Marcelo Martins durante uma teleconferência sobre resultados na terça-feira. Os credores agora estão discutindo o futuro da Raízen com a Shell e as negociações estão em andamento, acrescentou.
Cosan crê em evolução do plano sobre Raízen e não venderá ativos a qualquer preço
Ele disse que a companhia acredita que a evolução das discussões sobre a Raízen possa trazer uma solução satisfatória para o mercado.
A Raízen afirmou na semana passada que poderia entrar em um processo de reestruturação extrajudicial em busca de uma solução para seus problemas de endividamento. Os acionistas Shell e Rubens Ometto, fundador da Cosan, concordaram em injetar um total de 4 bilhões de reais (US$ 777 milhões) na empresa como parte de uma proposta que inclui uma reestruturação mais ampla da dívida, podendo envolver a conversão de parte da dívida em ações, a extensão dos prazos de vencimento do saldo remanescente e a alienação de ativos não estratégicos.
É uma reviravolta drástica para aquela que já foi a principal produtora de biocombustíveis do Brasil. Os esforços anteriores para fortalecer a Raízen fracassaram depois que a Cosan e a Shell não chegaram a um acordo sobre o montante a ser investido na empresa.
Fundos de private equity geridos pelo Banco BTG Pactual, também envolvidos nas negociações, discordaram de vários termos propostos pela Shell e decidiram não prosseguir com o investimento, disse na semana passada uma pessoa familiarizada com o assunto.
Desde que o BTG se retirou das negociações, bancos e detentores de títulos intensificaram a análise da estrutura de capital da Raízen, disseram pessoas familiarizadas com o assunto, que pediram para não serem identificadas porque as conversas são privadas.
A Raízen, a Cosan e o BTG se recusaram a comentar. A Shell não respondeu ao pedido de comentário. Na semana passada, a Shell afirmou que está “ajudando a aliviar os desafios financeiros que a Raízen enfrenta atualmente” e propôs uma contribuição de 3,5 bilhões de reais como parte de uma solução estrutural.
Desde a semana passada, operadores de câmbio e gestores de fundos em todo o Brasil relataram uma onda significativa de “desfazimento” de posições de hedge ligadas a transações com a empresa. Os fluxos afetaram tanto a taxa de câmbio à vista quanto o chamado cupom cambial, a taxa de juros onshore do dólar implícita no mercado de swaps cambiais, amplamente utilizada como referência para o custo de proteção contra a exposição ao dólar.
O Valor Econômico noticiou anteriormente as reduções nas operações de hedge.
A Raízen vem sofrendo com as altas taxas de juros, safras mais fracas e investimentos vultosos que ainda não se pagaram. Essas dificuldades corroeram seu fluxo de caixa e fizeram com que seu endividamento disparasse. A empresa encerrou o ano passado com uma dívida líquida total de 55,3 bilhões de reais, um aumento de 43% em relação ao ano anterior. A alavancagem subiu para 5,3 vezes o lucro antes de itens como juros e impostos, ante 3 vezes no ano anterior.
Os títulos da empresa, já sob pressão, despencaram depois que ela mudou o tom em relação às possíveis negociações de reestruturação no início deste ano. As agências de classificação de risco se apressaram em rebaixar a classificação de grau de investimento para níveis extremamente altos, aprofundando a onda de vendas.
A dívida da Raízen com vencimento em 2034, que chegou a ser negociada acima de 80 centavos de dólar até fevereiro, está atualmente sendo negociada a cerca de 49,5 centavos de dólar, segundo dados da Trace. Os rendimentos estão em torno de 19% — abaixo do pico de 25% em fevereiro, mas ainda bem acima dos níveis considerados críticos nos mercados de crédito.
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