4 de abril de 2026

​Revolução ou Risco? FMI alerta que economia tokenizada pode acelerar crises 

Fundo Monetário Internacional aponta risco de que reguladores não sejam capazes de reagir a tempo quando sistemas estiverem implementados
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(Bloomberg) — Migrar a infraestrutura de negociação de Wall Street para sistemas baseados em blockchain pode acelerar crises financeiras a um ponto em que os reguladores não consigam reagir a tempo, mesmo que a tecnologia prometa reduzir custos e eliminar atrasos na liquidação, afirmou o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A tokenização — o ato de representar ativos como ações, títulos e dinheiro em forma de tokens digitais em registros compartilhados — é uma mudança estrutural na arquitetura do sistema financeiro, e não apenas um ganho marginal de eficiência, escreveu Tobias Adrian, do FMI, em um relatório publicado na quinta-feira.

Bancos, câmaras de compensação e gestoras de recursos, incluindo BlackRock Inc. e JPMorgan Chase & Co., já estão conduzindo pilotos em tempo real para testar uma tecnologia que esperam que aumente suas receitas ao facilitar a negociação de ativos tradicionais, como ações e títulos.

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Em setembro, a Nasdaq pediu aprovação à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) para permitir que ações sejam tokenizadas e negociadas em ambientes regulados como a própria bolsa. No início deste ano, a Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) informou que está construindo uma plataforma baseada em blockchain para permitir a negociação 24 horas por dia de ações tokenizadas e fundos negociados em bolsa (ETFs).

O presidente da SEC, Paul Atkins, tem apoiado a tokenização.

A tecnologia permitirá que as operações circulem mais rapidamente pelo sistema, mas o que alguns veem como uma vantagem também é uma vulnerabilidade, disse Adrian.

“Eventos de estresse tendem a se desenrolar mais rapidamente, restando menos tempo para intervenções discricionárias”, escreveu ele. Atrasos na liquidação funcionam como amortecedores que dão a bancos centrais e reguladores algum tempo para agir durante crises, observou.

Em um sistema em que a liquidação é instantânea e, portanto, contínua, sobra pouco tempo para a atuação dos reguladores antes que as chamadas de margem disparem. Um sistema tokenizado também opera 24 horas por dia — mas as linhas de assistência emergencial dos bancos centrais foram pensadas para crises em horário comercial, disse ele.

Adrian também comparou as stablecoins emitidas por empresas privadas, cada vez mais usadas como ativos de liquidação em mercados tokenizados, a fundos de mercado monetário: funcionam bem em períodos de calmaria, mas são vulneráveis a corridas.

A nota traça três cenários para a evolução das finanças tokenizadas: um sistema coordenado, ancorado em moedas digitais de bancos centrais; um mosaico fragmentado de plataformas nacionais incompatíveis entre si; ou um mundo dominado por stablecoins privadas, em que os mecanismos públicos de proteção perdem força.

As políticas precisam responder à realocação estrutural de confiança e risco que as infraestruturas tokenizadas implicam, afirmou Adrian, sugerindo soluções como ancorar a liquidação em “dinheiro seguro” e esclarecer o status jurídico dos ativos tokenizados.

“Chegar a esse resultado exige que os formuladores de política se engajem de forma proativa com as implicações estruturais da transformação digital, em vez de reagirem apenas às suas manifestações”, diz o texto. “A janela de oportunidade para moldar a arquitetura do sistema financeiro tokenizado está aberta, mas não ficará assim indefinidamente.”

© 2026 Bloomberg L.P.

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