Nem tudo o que parece risco no CDB realmente é, e entender isso ajuda a investir com mais segurança
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Na hora de investir, o CDB costuma aparecer como uma escolha simples: você aplica e o banco paga uma taxa. Para muita gente, ele é o primeiro passo fora da poupança e a primeira dúvida mais séria sobre investimentos também.
Quando alguém começa a pesquisar sobre riscos de um CDB, algumas definições que aparecem misturadas podem confundir ainda mais e assustar. Liquidez, prazo, inflação, banco emissor, tudo vira dúvida e entra no mesmo pacote, embora nem todas tenham a mesma natureza.
Enquanto alguns conceitos são riscos estruturais do produto, outros são pontos de atenção que dependem exclusivamente de quem investe. Separar essas camadas não se trata de teorizar ou complicar o investimento, mas de ajudar a enxergar o que pode sair diferente do esperado e o que depende apenas de organizar melhor a estratégia. E é justamente essa distinção que faremos a seguir.
Emissor: é risco de crédito no CDB
Na prática, todo CDB é um dinheiro que você empresta ao banco, e que ele usa em suas operações em troca da taxa que lhe paga.
O risco de crédito aparece se a instituição emissora enfrentar dificuldades financeiras e não conseguir honrar os títulos que os investidores compraram. É aqui que entra o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) que cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição emissora (com limite global de R$ 1 milhão a cada quatro anos).
Essa proteção reduz bastante o impacto de um problema que o banco venha a ter, mas isso não significa necessariamente tranquilidade. Primeiro, porque não há prazo definido para o ressarcimento; segundo, porque o dinheiro deixa de render no momento da liquidação do emissor, e há uma série de procedimentos legais antes da liberação dos recursos para os investidores.
Leia também: O que avaliar antes de investir em CDBs de bancos médios e pequenos
Taxa de juros e inflação: é risco de mercado no CDB
Já o risco de mercado não tem nada a ver com o emissor, pois ele aparece quando o cenário econômico muda depois que você investiu.
A lógica é simples, pois juros e inflação andam juntos. Para conter uma disparada dos preços, o Banco Central sobe a taxa Selic; quando a inflação desacelera, os juros costumam cair.
Esse movimento afeta principalmente dois tipos de CDB: os prefixados e os atrelados à inflação (IPCA + taxa pré).
Exemplo 1: você travou uma taxa e o cenário mudou
Imagine que você investiu em um CDB prefixado a 13% ao ano por três anos. Meses depois, a inflação acelera, a Selic sobe e novos CDBs passam a pagar entre14% e 15% em média.
Você não perde o que contratou se levar o título até o vencimento, mas o seu dinheiro poderia estar rendendo mais, considerando o que o mercado paga hoje. Esse é o risco de mercado: não é perda contratual, é mudança de contexto.
Se houver necessidade de resgatar o título antes do vencimento, pode haver impacto na rentabilidade.
Exemplo 2: inflação acima do esperado
Agora imagine outro cenário: você aplicou a 9% ao ano prefixado e a inflação acumulada ficou acima disso no período. Em termos reais, seu poder de compra encolheu.
Esse é outro formato de risco de mercado: a taxa contratada deixa de compensar o ambiente econômico.
Por isso, quando você escolhe um prefixado, está fazendo uma aposta implícita: a taxa atual compensa o que pode acontecer nos próximos anos.
Liquidez: é ponto de atenção no CDB
Nem todo CDB permite resgate a qualquer momento, e isso costuma estar relacionado à rentabilidade. Para pagar taxas mais altas, os bancos costumam cobrar um pedágio do investidor, que é deixar o dinheiro aplicado por mais tempo.
Se você investir em um CDB com prazo de dois anos sem liquidez, e no meio do caminho surgir um gasto inesperado, pode descobrir que não consegue sacar. Isso é desalinhamento entre prazo e necessidade, e não um risco do CDB em si, pois faz parte das regras do jogo.
Para a reserva de emergência, você precisa de liquidez imediata ou diária. Já o dinheiro com horizonte mais longo pode aceitar que você trave o investimento em troca de uma remuneração melhor.
Neste caso, a pergunta que cabe não é “é arriscado?”, mas sim “esse prazo conversa com o meu objetivo?”.
Tributação: é ponto de atenção no CDB
O rendimento do CDB tem Imposto de Renda, com alíquotas que começam em 22,5% e caem de acordo com o prazo do investimento até chegar a 15%. E se o resgate acontecer antes de 30 dias, ainda há incidência de IOF, também regressivo.
Nada disso é risco estrutural do produto. São regras conhecidas e que afetam o rendimento líquido, principalmente quando o investimento dura pouco tempo.
Aplicar hoje e resgatar em poucas semanas pode resultar em um ganho bem menor do que parecia na simulação, não porque o CDB “deu errado”, mas porque o prazo escolhido não favoreceu a tributação.
Resumo: o que são riscos do CDB, e o que depende de você para funcionar
Para fechar, vale organizar de forma objetiva o que vimos até aqui.
Nem tudo o que costuma aparecer nas listas de alertas sobre CDBs tem o mesmo peso, e entender essa diferença ajuda a investir com mais tranquilidade.
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