Analistas traçam projeções para as ações da companhia
The post Rumo (RAIL3): o que esperar das ações após rali recente? appeared first on InfoMoney.
Apesar das ações da Rumo (RAIL3) terem subido forte no último mês e reduzido a defasagem em relação as concessões rodoviárias, que ainda acumulam desempenho cerca de 35 pontos percentuais superior nos últimos seis mesmes, o JPMorgan mantém recomendação neutra e reduziu o preço-alvo para dezembro de 2026 de R$ 20,00 para R$ 19,50.
Dentro da cobertura de infraestrutura no Brasil, a preferência do banco é por Motiva (MOTV3), com recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra).
Segundo o banco, a recente alta foi impulsionada pelos fortes volumes de janeiro, com avanço de 55% na comparação anual, além de um posicionamento técnico favorável, com cerca de 6% das ações em posição vendida (short interest) e baixa alocação dos investidores no papel.
UBS WM projeta S&P 500 a 7.700 pontos ao fim do ano e espera alta de lucros
Banco diz que mercado acionário norte-americano permanece favorável, sustentado por forte crescimento de lucros, política monetária acomodatícia do Fed e pela expansão da IA
PSSA3: Bradesco BBI vê potencial de crescimento limitado e rebaixa Porto para neutro
O BBI reduziu as estimativas de lucro líquido em 6,5% para 2026, para R$ 3,6 bilhões, 2,6% abaixo do consenso da Bloomberg
Para 2026, o JPMorgan projeta volumes de 91,1 bilhões de RTK (tonelada-quilômetro útil), o que representa alta de 8% em relação ao ano anterior. Apesar disso, o banco vê pressão sobre os yields, termo que se refere à receita média por unidade transportada. Na Operação Norte, a estimativa é de queda de 4% ano a ano, mesmo com a recente alta do frete rodoviário no Mato Grosso.
Para o quarto trimestre de 2025 (4T25), cuja divulgação está prevista para 4 de março, o JPMorgan estima EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 1,8 bilhão, 2% abaixo do consenso de mercado, com receita líquida de R$ 3,248 bilhões e lucro líquido de R$ 425 milhões. No consolidado de 2025, a projeção é de EBITDA de R$ 8,028 bilhões, ligeiramente abaixo do guidance, termo usado para indicar a faixa de projeção divulgada pela própria companhia, entre R$ 8,1 bilhões e R$ 8,7 bilhões.
Para 2026, o banco projeta EBITDA de R$ 8,358 bilhões e lucro líquido de R$ 2,071 bilhões. A ação negocia a 6,1 vezes EV/EBITDA projetado para 2026. Já a taxa interna de retorno real (TIR) estimada é de 11,5%.
No campo societário, os novos acionistas da Cosan (CSAN3), controladora da Rumo — BTG Pactual e Perfin — podem pressionar por maior foco em geração de caixa e otimização do CapEx (investimentos). A companhia deve concluir a primeira fase da extensão ferroviária até Lucas do Rio Verde no segundo semestre de 2026, enquanto a decisão sobre a segunda fase ainda está pendente.
O banco também monitora notícias sobre um possível investimento da Ultrapar (UGPA3), que já detém participação relevante na Hidrovias do Brasil e atua no escoamento de grãos do Mato Grosso. Eventual confirmação pode ser vista como positiva, embora com impacto limitado no curto prazo.
No âmbito regulatório, a concessão da Malha Oeste vence em junho de 2026. A Rumo possui R$ 2,7 bilhões provisionados para essa concessão, e deverá ocorrer um encontro de contas ao fim do contrato. A Malha Sul, por sua vez, vence em fevereiro de 2027 e também deve ser relicitada. O impacto para a ação dependerá do formato final dessas renovações ou reestruturações.
O Itaú BBA, por sua vez, reiterou recomendação de compra para a Rumo, com preço-alvo de R$ 19. A decisão ocorre após a ESALQ-LOG, centro de pesquisa ligado à Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), reforçar a avaliação de que o fluxo de notícias para a companhia tende a ser mais positivo, especialmente diante das perspectivas favoráveis para volumes e dinâmica de fretes no setor agro.
Segundo o instituto, há expectativa de (i) volumes fortes de safra de soja e milho em 2026, acompanhados de exportações recordes; (ii) maior competitividade do porto de Porto de Santos em relação ao Arco Norte, diante de gargalos de infraestrutura e custos mais elevados no Norte; (iii) alta de 5% a 10% nos fretes rodoviários em 2026, sustentada por demanda favorável; e (iv) aumento também no frete ferroviário, embora em magnitude menor, entre 0% e 5% ao ano, à medida que os operadores equilibram preços e crescimento de volumes.
O Itaú BBA avalia que o impacto positivo nas estimativas para a Rumo deve ser limitado, possivelmente mais concentrado em volumes do que em tarifas, mas considera o feedback relevante para melhorar o sentimento em relação à ação.
No cenário de fretes, as tarifas rodoviárias já operam cerca de 8% a 9% acima do mesmo período do ano passado em janeiro e fevereiro, com expectativa de avanço anual entre 5% e 10%, enquanto o frete ferroviário deve subir entre 0% e 5%. Fluxos fortes no início do ano, renovação limitada da frota de caminhões e repasse mais rápido de preços apontam para um mercado de frete mais apertado e aquecido em 2026 do que em 2025.
A safra de soja de 2026 deve ser a mais concentrada no início do ano já registrada, impulsionando um ritmo de exportações atipicamente forte nos primeiros meses. Os line-ups de fevereiro já indicam embarques recordes de soja, refletindo colheita antecipada e curva de exportação mais suave, com menor pressão residual esperada para o segundo semestre de 2026.
No caso do milho, apesar de uma possível queda de 3% a 4% na produção anual devido ao plantio tardio, as exportações podem crescer, apoiadas por estoques de passagem historicamente elevados, entre 12 milhões e 12,5 milhões de toneladas ao fim de 2025, o maior nível desde 2021.
Na dinâmica entre modais, operadores ferroviários priorizam crescimento de volumes, o que deve limitar aumentos mais expressivos nos preços, mesmo com demanda mais forte. A inflação relativa do frete rodoviário e a aplicação do piso mínimo do frete, em vigor desde outubro de 2025, podem gradualmente deslocar fluxos de fertilizantes para a ferrovia. Já os embarcadores de grãos continuam majoritariamente orientados ao mercado spot e ainda demonstram resistência aos preços ferroviários.
Em termos de competitividade portuária, Santos recuperou espaço frente ao Arco Norte, que ainda enfrenta gargalos logísticos, como impactos do período chuvoso no Pará e maior tempo de espera para caminhões. O aumento do frete rodoviário afeta proporcionalmente mais o Arco Norte, redirecionando volumes para Santos e, em alguns casos, para Rondonópolis e Porto Velho.
The post Rumo (RAIL3): o que esperar das ações após rali recente? appeared first on InfoMoney.
InfoMoney