No primeiro Investor Day pós-desestatização, companhia eleva plano de capex em R$ 20 bilhões e destaca corte de 30% no quadro de funcionários
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A Sabesp (SBSP3) realizou o seu Investor Day 2026 na última quinta-feira (9), o primeiro evento com o mercado após a privatização ocorrida em julho de 2024. Analistas do mercaso financeiro detalharam a transformação na gestão da companhia, que passou de uma mentalidade estatal para uma cultura focada em desempenho e otimização de custos.
De acordo com o relatório da XP Investimentos, a Sabesp superou os desafios iniciais da nova fase ao aliar disciplina de custos a uma execução física rigorosa. “Os primeiros 18 meses desde a privatização foram transformacionais”, aponta o relatório.
A companhia entregou metas de Universalização (Fator-U) acima das expectativas, backlog de capex robusto, e uma redução de aproximadamente 30% no quadro de funcionários e a implementação de uma estrutura de Orçamento Base Zero (OBZ).
Segundo a instituição, essa reestruturação ocorreu em paralelo à implementação de uma nova cultura corporativa, mesmo sob a pressão de graves riscos hidrológicos enfrentados durante a estação chuvosa.
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Salto no Capex
Um dos pontos centrais do evento foi a atualização do plano de Capex. A administração subiu a projeção de investimentos para o período de 2026-2030 de R$ 64 bilhões para R$ 84 bilhões.
A Sabesp informou que, para 2026, a estimativa é de um aporte recorde de R$ 20 bilhões. O valor representa três vezes mais os níveis médios investidos pela companhia antes de ser privatizada.
O Morgan Stanley ressaltou que a execução desses investimentos está nos trilhos e até adiantada em relação ao cronograma original. “A execução do capex era uma preocupação central pós-privatização – em resposta, a Sabesp investiu um recorde de R$ 15 bilhões em 2025”, diz o relatório.
A estratégia de alocação desses recursos foi disposta aos analistas: 65% do montante será destinado à universalização dos serviços de água e esgoto. O Goldman Sachs ressalta que a Sabesp está antecipando cronogramas regulatórios, o que cria um “colchão” de segurança para as metas municipais mais exigentes de 2027.
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Eficiência operacional
O Morgan Stanley enfatizou o sucesso do turnaround operacional, citando que o opex (despesas operacionais) caiu cerca de 30% em 2025 em relação a 2024. Além da redução de 17% no quadro de funcionários apenas em 2025, a empresa aposta em projetos de autoprodução de energia e na automação de sistemas.
O Goldman Sachs acredita que, se a Sabesp replicar os ganhos de eficiência vistos em outros processos de privatização do setor elétrico, há um potencial de valorização adicional de R$ 7,00 por ação.
Outro avanço, segundo os analistas, foi a resolução das ineficiências de faturamento, conhecidas como “gap de receita”. Historicamente, a Sabesp deixava de arrecadar cerca de R$ 1 bilhão por ano devido a faturamentos incorretos e descontos excessivos para grandes clientes.
De acordo com a nova administração, já foram reavaliados mais de 500 contratos comerciais e recuperou R$ 600 milhões até o final de 2025. O objetivo da gestão é que a maior parte desse gap seja totalmente mitigada ainda em 2026, o que deve impulsionar as margens operacionais.
A XP Investimentos destaca que a empresa também está mitigando riscos financeiros por meio de uma gestão proativa de passivos, reduzindo o custo da dívida e estendendo o vencimento médio dos compromissos.
Com uma relação Dívida Líquida/Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de apenas 2,2x, a Sabesp possui uma das estruturas de capital mais sólidas entre as grandes empresas de infraestrutura da América Latina, segundo relatório da XP.
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Expansão
O Goldman Sachs pontua que agora que a Sabesp está com um balanço “fortalecido”, a empresa consegue delinear seus planos para o crescimento inorgânico via M&A (fusões e aquisições).
O alvo prioritário é o programa UniversalizaSP, que deve levar a leilão operações de cerca de 230 municípios paulistas ainda administrados por entidades estatais. Analistas do GS calculam que as operações representam uma oportunidade de R$ 36 bilhões em RAB (Base de Ativos Regulatórios) líquida. “Vemos a Sabesp como o player melhor posicionado para adicionar esses projetos ao seu portfólio”, reforça o banco.
Ainda, o Goldman Sachs aponta que a atual política de dividendos, que limita o payout (porcentagem do lucro distribuída) em 50% para 2026-2027, pode ser alvo de revisões no futuro.
Uma flexibilização dessa regra, permitindo distribuições maiores mais cedo devido à forte geração de caixa, poderia gerar uma reclassificação positiva das ações.
“Dividendos mais altos podem apoiar ainda mais nossa visão positiva sobre a Sabesp, pois um caminho mais rápido para dividendos mais altos também poderia levar a uma re-rating (valorização) mais rápida”, conclui a instituição.
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