Analistas reiteram compra para Axia Energia (AXIA6); veja as recomendações de compra para pares do setor
The post Santander revisa projeções para o setor elétrico; Engie é elevada e Axia é top pick appeared first on InfoMoney.
O Santander divulgou nesta quinta-feira (2) sua revisão dos modelos para as companhias do setor energético do Brasil, considerando a Axia Energia (AXIA6), Engie (EGIE3) e Auren Energia (AURE3), incorporando os resultados consolidados do quarto trimestre de 2025 e os novos parâmetros regulatórios do setor.
Uma das principais mudanças estruturais que aparece no relatório do banco de investimentos é a atualização da curva de preços de energia: embora o banco projete valores mais baixos para 2026 e 2027 devido a uma revisão para cima nas expectativas de hidrologia, a visão para 2028 em diante foi elevada.
Dentro dessa transição, a Axia Energia se tornou a favorita dos analistas por conta da sua atratividade em comparação aos papéis de outras empresas.
“Acreditamos que a exposição significativa da companhia a ativos hidrelétricos não contratados continua sendo uma vantagem fundamental em um ambiente de custos marginais de expansão crescentes e alta valorização dos atributos de flexibilidade”, diz o relatório do Santander.
Axia “em uma nova fase”: o que muda para as ações com a migração para o Novo Mercado
O movimento pode favorecer a liquidez do papel e ampliar o universo de investidores elegíveis
Ainda sobre a Axia, o Santander reitera a recomendação de compra das ações, com a elevação do preço-alvo de R$ 65,46 para R$ 68,92. Os analistas esperam que a companhia apresente uma forte distribuição de caixa nos próximos três anos.
O banco projeta um rendimento de dividendos adicional de 23,9% para o período 2026-2028, impulsionado pela aquisição de todas as ações preferenciais da classe AXIA7. O banco pondera que uma alocação de capital agressiva em novos projetos poderia reduzir o fluxo esperado de dividendos.
Os analistas enxergam a empresa como o melhor veículo para investidores que desejam se expor a um cenário de preços de energia estruturalmente mais altos no longo prazo.
“Destacamos nossa preferência pela AXIA7, pois está sendo negociada com um desconto de 3,7% em relação ao preço atual da ação AXIA3“, aponta o relatório.
Engie
A Engie teve sua recomendação elevada de venda para neutra, com preço-alvo ajustado para R$ 33,64, ante R$ 27.76. A mudança vem em decorrência da decisão estratégica da administração de adotar distribuições via Juros sobre Capital Próprio (JCP), o que gera benefícios fiscais imediatos, e pelo sucesso nos recentes leilões de transmissão (lotes 2 e 3) e de capacidade, com destaque para o projeto Jaguara.
Apesar da melhora na percepção, o banco mantém cautela devido ao pesado plano de expansão da companhia, que exige altos desembolsos de caixa para obras iniciadas do zero. Os analistas do Santander avaliam que esse volume de investimentos deve pressionar o balanço da empresa no curto prazo.
“Esperamos que o pipeline de projetos greenfield resulte em uma alavancagem elevada (Dívida Líquida/EBITDA atingindo o pico de 3,7x em 2026) e pagamentos de dividendos modestos”, explica o relatório. A instituição estima um rendimento médio de 6,1% para os próximos três anos, um nível mais conservador enquanto a geradora prioriza a entrega de seus ativos em construção.
Mesmo com mudanças positivas, a empresa permanece altamente exposta aos riscos de restrição de geração, modulação e aos preços de longo prazo. O banco ressalta o risco de atrasos em obras e a possibilidade de uma revisão tarifária negativa na unidade de transporte de gás (TAG).
Auren Energia
Para a Auren Energia, o Santander manteve a recomendação neutra com preço-alvo de R$ 13,47, ante valor anterior de R$ 13,32. O banco reconhece o histórico operacional sólido e a integração bem-sucedida da AES Brasil, mas vê limites claros para a valorização das ações no curto prazo, especialmente devido à exposição ao segmento de geração e à maior alavancagem financeira da companhia.
A principal preocupação está nas restrições operacionais do sistema elétrico, que afetam plantas solares e eólicas. “Vemos uma incerteza significativa em torno do impacto de curto a médio prazo da restrição de geração, o que limita o potencial de alta nos níveis atuais de valuation”, afirma o Santander.
O banco reduziu o custo de capital próprio nominal para 13,3%, mas ainda ressalta que a persistência de juros altos no Brasil desafia a desalavancagem da empresa.
Os riscos específicos para a Auren incluem a baixa incidência de ventos ou radiação solar, indenizações judiciais abaixo do previsto e a deterioração dos preços de energia no curto prazo. O banco projeta que a empresa mantenha uma alavancagem relativamente alta nos próximos anos, o que restringe a capacidade de novos investimentos vultosos ou dividendos extraordinários.
Modelo Newave Híbrido
O relatório do Santander explica que 2025 trouxe uma mudança profunda na forma como o preço da energia é calculado no Brasil, com a chegada do modelo Newave Híbrido (novo sistema computacional de formação de preços).
Antes dessa mudança, o sistema tratava as represas de forma simplificada, como se fossem grandes blocos regionais de água. Com o novo modelo, o cálculo passou a ser “granular”, ou seja, ele enxerga cada usina de forma individual e detalhada.
Além disso, o sistema tornou-se mais cauteloso ao adotar parâmetros de CVaR (valor em risco condicional) mais altos. Isso significa que, na prática, o modelo prefere “guardar” mais água por segurança, temendo cenários de seca.
Essa combinação de um sistema mais “preocupado” com a segurança do que com o preço baixo, somada à falta de chuvas em 2025, criou a tempestade perfeita: os preços da energia dispararam e ficaram muito mais voláteis do que os analistas esperavam inicialmente.
“Vemos que esses ajustes, combinados com um cenário hídrico negativo, resultaram em preços mais altos e voláteis do que o esperado anteriormente para 2025”, aponta o Santander.
Para 2026 e 2027, a curva a termo indica preços menores, refletindo a recuperação dos reservatórios e uma hidrologia mais favorável. No entanto, o banco elevou as premissas de preço para 2028 em diante, incorporando uma visão mais construtiva para o futuro da oferta de energia no país. “Atualizamos nossos modelos para refletir preços de energia mais baixos em 2026-27, incorporando a queda recente nas curvas a termo”, conclui o banco.
The post Santander revisa projeções para o setor elétrico; Engie é elevada e Axia é top pick appeared first on InfoMoney.
InfoMoney