Após três meses de abertura, os spreads voltaram rapidamente aos níveis de outubro de 2025, praticamente anulando o movimento de fechamento que havia ocorrido
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Depois de um janeiro marcado por forte compressão dos spreads no mercado de debêntures incentivadas, a Sparta acendeu um sinal de alerta sobre a relação risco-retorno dos títulos isentos. Na avaliação da gestora, o movimento recente reduziu de forma significativa os prêmios pagos ao investidor e deixou pouco espaço para ganhos adicionais, ao mesmo tempo em que aumentou a vulnerabilidade a uma eventual reversão de fluxo ao longo de 2026.
No primeiro mês do ano, os spreads de crédito dos títulos AAA incentivados registraram um fechamento expressivo de 45 pontos-base, considerando uma amostra com duration média de 4,21 anos. Com isso, após três meses de abertura, os spreads voltaram rapidamente aos níveis de outubro de 2025, praticamente anulando o movimento de fechamento que havia ocorrido.
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Entre os papéis indexados ao CDI, no entanto, o comportamento foi distinto. Os spreads permaneceram praticamente estáveis, reforçando a leitura de que a compressão esteve concentrada no segmento incentivado e de maior qualidade de crédito.
Com isso, ao se considerar o retorno líquido, a gestora aponta que hoje “não há diferença material entre o retorno das debêntures incentivadas e o dos ativos não incentivados de risco equivalente”. O diferencial passou a ser essencialmente a própria isenção tributária.
Mesmo com a compressão dos prêmios, a liquidez do mercado de incentivadas permaneceu elevada. Em janeiro, o volume total negociado em debêntures somou R$ 66 bilhões, queda de 7% na comparação mensal, enquanto o número de negócios recuou 3,5%, para cerca de 135 mil operações.
Ainda assim, o volume negociado especificamente em debêntures incentivadas alcançou R$ 28 bilhões, apenas R$ 1 bilhão abaixo do recorde registrado em dezembro. O dado sugere que, apesar da redução do giro geral do mercado, a demanda por títulos isentos seguiu forte no início do ano.
Para a Sparta, esse descolamento reforça a avaliação de que o ajuste recente esteve menos ligado a mudanças estruturais de risco e mais associado à dinâmica de fluxo, com as restituições do FGC do Banco Master e taxas menos atrativas em LCI e LCA. O mercado também cita a demanda de fundos na virada do ano para cumprir barreiras de mandato.
O alerta é que esse suporte pode não ser permanente. Com os spreads das incentivadas arbitrados com os dos ativos não incentivados, a gestora avalia que a relação retorno/risco se tornou pouco atraente, sobretudo nas estratégias pós-fixadas em infraestrutura. Segundo a carta, “há pouco a ganhar e um risco não desprezível de abertura caso o fluxo mude de direção”.
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