9 de fevereiro de 2026

​Starlink de Elon Musk corta internet de tropas russas a pedido da Ucrânia 

Ainda não está claro qual será o impacto da mudança sobre a capacidade de guerra da Rússia, mas blogueiros militares russos afirmam que as tropas estão enfrentando quedas de internet que prejudicam as comunicações na linha de frente
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BERLIM — Tropas russas que lutam na Ucrânia passaram a relatar perda de sinal de internet via satélite da Starlink, segundo blogs militares pró-guerra na Rússia. O bloqueio veio depois que Elon Musk atendeu a um pedido do governo ucraniano para restringir o acesso ao sistema, que vinha sendo usado de forma clandestina pelos soldados russos.

O corte é mais um capítulo de uma guerra que já dura quase quatro anos e virou uma corrida tecnológica permanente, redefinindo o que significa travar um conflito no século 21.

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Ainda não está claro o tamanho do estrago para o Exército russo, mas blogueiros que acompanham de perto as tropas relatam irritação e falhas de comunicação na linha de frente, onde militares de Moscou há anos usavam equipamentos de Starlink contrabandeados para acessar a internet.

“É cedo para medir o impacto total, mas, pelo nível das reclamações russas, isso já está fazendo diferença”, diz Michael Kofman, especialista em Forças Armadas russas e pesquisador sênior do Carnegie Endowment for International Peace.

Um blogueiro identificado como Military Informant, no Telegram, afirmou que tanto as conexões da Starlink usadas em drones quanto o acesso à rede por tropas na linha de frente foram interrompidos. Os russos começaram há pouco a usar Starlink em alguns drones — peça-chave desta guerra —, mas a Ucrânia temia que isso virasse padrão e aumentasse ainda mais a eficiência dos ataques.

Segundo esse blogueiro, a mudança pode empurrar as forças russas de volta para tecnologias consideradas “do passado”, como internet cabeada, Wi-Fi e rádio.
“A novela Starlink abriu uma brecha séria nas comunicações, que o inimigo pode tentar explorar”, postou o canal Colonelcassad, do blogueiro pró-guerra Boris Rozhin, também no Telegram. Ele observa que não há, hoje, outra solução de internet em campo que ofereça o mesmo desempenho, e que driblar o bloqueio vai levar tempo.

Depois do corte, Musk escreveu no X em 1º de fevereiro: “Parece que as medidas que adotamos para impedir o uso não autorizado do Starlink pela Rússia funcionaram. Avisem se precisarmos fazer mais.”

Enquanto a Ucrânia sempre teve acesso oficial ao Starlink, a Rússia vinha driblando restrições de exportação para trazer equipamentos da empresa americana e distribuí-los entre unidades na frente de batalha.

Nos últimos meses, porém, o governo ucraniano percebeu que o uso russo estava indo além de simples comunicação entre tropas. De acordo com Kiev, a Rússia passou a acoplar Starlink em drones, melhorando a precisão dos ataques e reduzindo o efeito de bloqueadores de sinal.

Essa disputa se encaixa em um ponto central da guerra: a corrida por drones e robôs mais sofisticados e por canais de comunicação cada vez mais seguros para controlá-los. A perspectiva de enxurradas de drones russos turbinados pela Starlink acendeu o alerta em Kiev, que já enfrenta uma campanha pesada de ataques russos contra a infraestrutura de energia em um dos invernos mais duros dos últimos anos.

Diante disso, o novo ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov — um ex-empreendedor de tecnologia de 35 anos — procurou a SpaceX, dona da Starlink, no mês passado. A resposta foi um endurecimento amplo: a empresa passou a bloquear o serviço na Ucrânia para todos os terminais que não estivessem cadastrados e validados pelo governo.

Na prática, a Ucrânia montou uma “lista branca” de aparelhos autorizados, deixando de fora os terminais contrabandeados usados por tropas russas. A medida, porém, também acabou afetando temporariamente civis e militares ucranianos que ainda não tinham feito o registro ou aguardavam aprovação.

Fedorov comemorou a mudança em um post no X na quinta-feira, dizendo que o novo sistema está funcionando e que o país segue validando terminais rapidamente. Ele agradeceu a Musk e afirmou que a decisão “está trazendo resultados concretos”.
“Estamos trabalhando bem de perto com sua equipe nos próximos passos importantes”, escreveu o ministro ao dono da SpaceX. “Obrigado por estar ao nosso lado. Você é um verdadeiro defensor da liberdade e um verdadeiro amigo do povo ucraniano.”

A SpaceX não comentou o caso publicamente na quinta-feira.

Além da exigência de registro, os terminais da Starlink em operação na Ucrânia passaram a ter um limite de velocidade de cerca de 75 km/h. Ou seja, se um equipamento estiver instalado em armamentos que se movem mais rápido do que isso, a conexão cai — uma forma de dificultar o uso em drones de ataque de longo alcance.

Segundo Kofman, o objetivo ucraniano é duplo. A obrigatoriedade de cadastro, diz ele, “força as unidades avançadas russas a reorganizar suas comunicações”, o que dá vantagem à Ucrânia. Já o limite de velocidade serve “para impedir que a Rússia use o sistema em drones de ataque de longo alcance”.

O especialista pondera que os russos ainda têm alternativas de comunicação, como internet terrestre, cabos de fibra óptica, pontes de Wi-Fi e repetidores — tecnologias que existiam antes da dependência da Starlink.

Analistas veem os recentes ataques de Moscou contra a infraestrutura de energia da Ucrânia como uma forma de pressão, enquanto delegações dos dois países se reúnem em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, para conversas de paz mediadas pelos Estados Unidos.

Desde o início da invasão em larga escala, em 2022, o Exército russo tem dificuldade para montar um sistema de comunicação em campo que seja, ao mesmo tempo, seguro e confiável. Em vários momentos, unidades acabaram recorrendo ao Starlink para coordenar movimentos na linha de frente. A Rússia corre para lançar sua própria constelação de satélites, mas o projeto ainda está em desenvolvimento.

Sem o Starlink, “o inimigo não tem só um problema, o inimigo tem uma catástrofe”, escreveu Serhiy Beskrestnov, assessor de Fedorov, em um post no Facebook na quinta-feira.

Diante do apagão, unidades russas voltaram a usar rádios e outros meios mais tradicionais de comunicação. Algumas passaram a instalar cabos de fibra óptica para levar internet fixa até a linha de frente como plano B, segundo relatos de blogueiros militares russos.

c.2026 The New York Times Company

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