Mesmo após a forte correção recente, analistas do Itaú BBA destacam que a queda reflete fatores globais e não mudanças nos fundamentos da empresa
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A forte queda das ações da Totvs (TOTS3) – cerca de 16% acumulados nos últimos dois pregões e baixa de quase 13% apenas na última quarta-feira (4) – gerou um intenso fluxo de dúvidas de investidores locais e estrangeiros. Segundo análise divulgada pelo Itaú BBA, o movimento não está ligado a mudanças nos fundamentos da companhia, mas sim a um realinhamento do fluxo internacional e ao enfraquecimento do sentimento global em relação ao setor de software.
De acordo com o relatório, a pergunta que dominou as conversas foi direta: “por que a venda se acelerou agora?”. A resposta envolve uma combinação de fatores que extrapolam o desempenho da empresa brasileira, que segue abaixo:
Pressão global sobre o setor de software
O Itaú BBA destaca que a queda da Totvs ocorre em um momento de reprecificação do setor de tecnologia no mundo. A desvalorização recente da SAP (empresa alemã, criadora de softwares de gestão de empresas), por exemplo, reforçou um debate estrutural: o avanço da inteligência artificial (IA) está reduzindo barreiras de entrada para novos players, o que coloca em xeque o chamado “prêmio de visibilidade” associado a companhias de software — que historicamente se beneficiam de maior poder de preço, expansão de bases de usuários e múltiplos longos.
Nesta semana, a apresentação da nova solução Claude, da Anthropic, adicionou pressão ao setor. Os novos plug-ins alimentaram o temor de que workflows impulsionados por agentes autônomos de IA possam desintermediar partes importantes da camada de aplicações — justamente onde empresas de software tradicionais atuam.
Investidores internacionais recuam diante da incerteza
A aversão ao risco no setor de tecnologia ficou evidente na performance dos índices globais. O IGV, que reúne ações de software, caiu 22% no acumulado do ano e 7% apenas na última semana. No mesmo período, o QQQ — que representa empresas de tecnologia listadas na Nasdaq — recuou 2,4%.
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O BBA aponta que o rápido crescimento de empresas de memória e semicondutores contrasta com o momento mais nebuloso das de software, consideradas mais vulneráveis às disrupções trazidas pela IA. Assim, em períodos de redução de risco, investidores tendem a cortar primeiro posições em segmentos sob maior debate estrutural, mesmo quando não há deterioração nos fundamentos individuais das companhias.
Por que a Totvs não tinha caído antes?
A Totvs vinha registrando desempenho superior ao de seus pares globais. Para o Itaú BBA, dois fatores explicam essa resiliência:
forte fluxo internacional para emergentes, com investidores estrangeiros registrando compras líquidas recordes no Brasil em janeiro — cerca de R$ 26,3 milhões;forte expectativa para os resultados do 4º trimestre de 2025, que seguem robustos.
Mesmo assim, a correção chegou. Segundo o BBA, três elementos pesaram na queda recente:
– Valuation esticado: a Totvs negocia com prêmio de cerca de 13% sobre pares globais, após ter saído de um desconto de 30% no início de 2025.
– Noticiário negativo no setor de software, dominado pelo avanço da IA e reprecificação das big techs.
– Desempenho fraco do Ibovespa, que caiu cerca de 2% no pregão mais recente.
Momento pode abrir oportunidade
Apesar da volatilidade, o Itaú BBA reforça uma visão construtiva sobre a Totvs. A instituição considera que a empresa segue bem posicionada no longo prazo, apoiada por: investimentos consistentes em soluções de IA; potencial de upselling em serviços Cloud, essenciais para habilitar clientes a adotar ferramentas orientadas por IA;
altos custos de troca dos sistemas ERP da companhia, que funcionam como barreira competitiva; rede de distribuição ampla e difícil de replicar.
Com as ações negociadas a 22 vezes o lucro estimado para 2026, o BBA afirma ver uma “assimetria positiva de risco-retorno” nos próximos 12 meses. Alguns investidores, inclusive, já teriam voltado às compras diante da correção.
A expectativa é de que a Totvs entregue um CAGR (taxa de crescimento anual composto) de lucro de 25% em três anos, o que reforça a visão de que a queda recente pode representar mais uma oportunidade do que o início de uma deterioração estrutural. Assim, o BBA tem recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para as ações, com preço-alvo de R$ 60, com potencial de alta de 58% frente o último fechamento.
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