Brasil sai como um dos maiores beneficiados pela nova tarifa global, muito menor do que a que o país estava sujeito anteriomente
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A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos anulou, na última sexta (21) as chamadas tarifas “recíprocas” impostas por Donald Trump em abril do ano passado, mas as cobranças não acabaram. Menos de 24 horas depois, o presidente americano anunciou uma nova tarifa global de 15% sobre importações, mas a medida que começou a valer às 2h (horário de Brasília) desta terça-feira (24) foi diferente: acabou entrando em vigor uma taxa menor de 10%.
Ainda não se sabe o motivo da mudança, mas o Financial Times cita um funcionário do governo americano que garante que o aumento virá pela frente. Ao mesmo tempo, o Wall Street Journal afirma que a equipe de Trump já trabalha para criar uma nova leva de taxas sob a justificativa de segurança nacional.
Em meio a essa incerteza, como fica o cenário para o Brasil? Veja tudo o que se sabe até agora.
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O que aconteceu nos últimos dias?
Na sexta-feira (20), a Suprema Corte decidiu que o presidente não podia usar uma lei de emergência para aplicar tarifas amplas sobre praticamente todos os países.
Com isso, foram anuladas as chamadas tarifas “recíprocas”, que começaram em 10% em abril de 2025 e chegaram a percentuais mais altos para alguns países, incluindo uma sobretaxa adicional de 40% sobre vários produtos brasileiros.
No mesmo dia, a Casa Branca anunciou uma nova tarifa global de 10%, que no sábado foi elevada para 15%, dentro do limite permitido pela legislação comercial de 1974.
Nesta terça, no entanto, acabou entrando em vigor a tarifa de 10%.
Como o Brasil é afetado agora?
O Brasil está entre os países atingidos pela nova tarifa global.
Na prática, a nova taxa funciona como um adicional sobre a tarifa normal de cada produto. Ou seja, mantém-se a alíquota já existente para o item e soma-se a cobrança temporária de 10%, salvo exceções.
A tarifa não vale para todos os produtos. Mercadorias que já têm cobrança por motivos de segurança nacional seguem regras próprias. Alguns bens, como determinados produtos agrícolas e minerais considerados estratégicos, também ficaram de fora.
O que continua valendo para o Brasil?
As tarifas aplicadas por razões de segurança nacional não foram afetadas pela decisão da Corte.
A situação atual é a seguinte:
É importante ressaltar, no entanto, que ainda não está claro se a tarifa será aplicada sobre as tarifas de produtos específicos, como aço e alumínio. Em 2025, a tarifa global de 10% era somada a essas taxas em alguns casos, como o da União Europeia, mas excluídas em outros após negociações, como o Japão.
O que mudou em relação a 2025? Veja histórico
Em abril de 2025, o Brasil passou a pagar 10% de tarifa ampla; Em junho, aço e alumínio foram elevados para 50%. Em julho, alguns produtos sofreram aumento adicional de 40%, elevando a carga total para até 50% em certos casos.Em novembro, após negociações, parte dessas sobretaxas foi retirada.Na sexta-feira (20), a Suprema Corte anulou as tarifas aplicadas com base na lei de emergência. Com isso, caíram a taxa geral de 10% e a sobretaxa de 40% sobre produtos brasileiros. Logo depois, o governo anunciou a nova tarifa global de 15%.Na terça-feira (24), entraram em vigor as novas tarifas globais de 10%, e não de 15% como se esperava.
O Brasil está melhor ou pior?
Segundo levantamento da Global Trade Alert, o Brasil aparece entre os países com maior redução na tarifa média após a reconfiguração das medidas adotadas pelos Estados Unidos, mesmo considerando um eventual aumento para 15%. De acordo com o estudo, nessas condições, a queda estimada para o Brasil seria de 13,6 pontos percentuais na tarifa média, considerando o conjunto das taxas que estavam em vigor no auge do tarifaço e o novo arranjo com a tarifa global de 15%.
O dado indica que, apesar da nova sobretaxa adicional, o nível médio de cobrança sobre produtos brasileiros ficou abaixo do pico observado em 2025, quando parte das exportações chegou a enfrentar alíquotas de até 50%.
“A decisão é marginalmente positiva para Brasil”, pontua Leonardo Costa, economista do ASA. “Contudo, o aumento da incerteza com o comércio global tende a diminuir os benefícios que se colheria dessa redução de cobrança de tarifa”, pondera.
Os próximos passos ainda são duvidosos. A nova tarifa de 15% pode durar até 150 dias. O governo americano também indicou que pode usar outros instrumentos legais para criar novas tarifas.
“No curto prazo, a decisão é líquida positiva para o Brasil via canal financeiro (câmbio e bolsa). Mas há riscos em nossas relações com a China, e aqui reside o risco estratégico para o Brasil”, alerta Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos. “Sob o regime de tarifas agressivas do IEEPA, a China frequentemente redirecionava excedentes de produção para mercados alternativos, incluindo o Brasil, gerando pressões desinflacionárias, mas prejudicando a indústria nacional”.
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