Ebitda ficou acima do esperado beneficiado por maiores volumes de vendas e preços de cobre e minério de ferro, além de receitas de subprodutos e melhorias operacionais
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Em um primeiro momento, pode-se pensar que a Vale (VALE3) registrou um resultado negativo, uma vez que a mineradora reportou um prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre, mais de 5 vezes o prejuízo de US$ 694 milhões do mesmo período do ano anterior.
Contudo, a visão é de que a mineradora registrou um resultado bastante positivo, principalmente por conta dos dados de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) acima do esperado e um sólido desempenho nas vendas de minério de ferro e cobre.
Cabe destacar que a última linha do balanço foi impactada por baixas contábeis, com “impairments” de US$ 3,5 bilhões nos ativos de níquel da Vale Base Metals no Canadá, diante de uma revisão das premissas de preço de longo prazo para o níquel, além de uma baixa de US$ 2,8 bilhões em imposto diferido de subsidiárias. Ao excluir os itens não recorrentes, como as baixas contábeis, o lucro líquido proforma somou US$ 1,5 bilhão no quarto trimestre, alta de 68% na comparação com o mesmo período do ano anterior, com impulso do aumento do Ebitda proforma e de impacto positivo da avaliação a mercado dos swaps cambiais.
Os fatores positivos foram, entretanto, parcialmente compensados por provisões adicionais relacionadas à Samarco, além da ausência de ganhos extraordinários registrados no quarto trimestre de 2024.
Apesar do prejuízo líquido, o Ebitda ajustado foi beneficiado por maiores volumes de vendas e preços de cobre e minério de ferro, além de receitas de subprodutos e melhorias operacionais, segundo o relatório da companhia. O Ebitda somou US$ 4,6 bilhões entre outubro e dezembro, contra US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre de 2024.
O Ebitda proforma ajustado de US$ 4,8 bilhões, 1% acima do esperado pela XP e 5% além do consenso.
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Com os números operacionais já divulgados, a XP destacou mais um trimestre de desempenho sólido de custos da Vale, incluindo: (i) ganhos contínuos de eficiência na Iron Ore Solutions, com o custo C1 (produção cobrindo as despesas da mina, ferrovia e porto, mas excluindo compras de terceiros) em US$ 21,3/tonelada (t), em linha com o guidance da empresa para 2025 e marcando o segundo ano consecutivo de redução de custos, e (ii) redução nos custos em Metais Básicos, embora parcialmente explicado por receitas mais fortes de subprodutos na divisão de Cobre (parte dela com efeitos não caixa); enquanto os custos do níquel como um todo diminuíram 35% ano a ano para US$ 9.001/t, também mostrando redução.
Já a dívida líquida expandida caiu para US$ 15,6 bilhões (queda de US$ 1,0 bilhão semestre a semestre), impulsionada por fortes ajustes na geração de caixa e nas provisões de caixa, com o FCF (fluxo de caixa livre) em US$1,7 bilhão (em linha geral com a projeção da XP).
O Ebitda superou as projeções do JPMorgan em 4,5%. “O principal resultado positivo veio dos metais básicos, devido aos créditos excepcionalmente altos de subprodutos para os negócios de cobre e níquel. O minério de ferro superou ligeiramente as expectativas do JPMorgan e o consenso (2,2% e 1,0%, respectivamente), principalmente porque os custos de frete mais do que compensaram o aumento dos custos C1 impulsionado pela variação cambial”, apontou o JPMorgan, que projetava uma reação positiva para o mercado.
O Ebitda da Vale ficou 6% acima das projeções do Itaú BBA, com todo o resultado positivo atribuído à divisão de metais básicos, devido ao impacto positivo dos preços provisórios e ao desempenho de custos melhor do que o esperado. “O trimestre foi marcado por uma produção sólida tanto na divisão de metais ferrosos quanto na de metais básicos. Em relação aos custos, o trimestre foi impactado pela desvalorização do real, resultando em custos C1 mais altos (embora esperados). A geração de fluxo de caixa livre foi forte, atingindo US$ 1,7 bilhão, e a dívida líquida expandida diminuiu para US$ 15,6 bilhões”, destaca o banco.
O Goldman Sachs apontou que, após um trimestre relativamente fraco para metais básicos no 3º trimestre (paralisação da produção de níquel), a Vale apresentou números de custos robustos para metais básicos, impulsionados por melhorias operacionais
e pelo desempenho de subprodutos (principalmente ouro, em sua maioria transportado por streaming). No lado do minério de ferro, o desempenho de custos foi bom, mas em linha com as expectativas.
Visão positiva permanece
Após o balanço, os analistas seguem otimistas em sua maioria com a Vale. A XP, embora reitere recomendação neutra com base no valuation, reconhece um momentum positivo para as ações. A Genial também recomenda manutenção, com preço-alvo de R$ 90. A casa avalia que parte do bom resultado já estava precificado pelo mercado.
O Goldman Sachs reiterou recomendação de compra para os ADRs (recibo de ações negociado nos EUA), com preço-alvo de US$ 18. O banco americano vê ainda um espaço para uma nova reavaliação.
“Após conversas com investidores globais, nossa percepção é de que a tese da Vale ainda é geralmente vista como construtiva, sustentada por 1) uma visão menos pessimista para o minério de ferro (semelhante ao achatamento da curva a termo do minério de ferro); 2) a visão de que a Vale representa uma alternativa atraente às grandes empresas de cobre, que são mais caras; e 3) o bom momento operacional da empresa”, aponta.
O banco ainda aponta que a história de crescimento do cobre da Vale (com o objetivo de dobrar a produção até 2035) tem atraído atenção e, embora os investidores pareçam não estar prontos para precificar totalmente essa expansão, observamos que ela coloca a tese de investimento da empresa no segmento temático de metais industriais.
No lado do minério de ferro, embora os investidores acreditem que os preços estejam no pico ou próximos a ele para este ciclo, a visão tem sido menos negativa na margem e as expectativas são de resiliência em torno dos níveis atuais (semelhante à curva futura que se achatou nos últimos 6 meses).
O Bradesco BBI também reforçou recomendação de compra para VALE3, que está sendo negociada com um atraente rendimento ao FCF de 8% estimado para 2026 (preço médio de minério em US$ 100/t). “Após esse forte conjunto de resultados, vemos espaço para revisões positivas em nossas estimativas de 2026”, apontou.
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