10 de março de 2026

​Verde, de Stuhlberger, aproveita correção e volta a comprar bolsa brasileira 

Gestora de Stuhlberger vinha reduzindo exposição a ações locais e aproveitou correção para ir às compras
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No último dia de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram os ataques ao Irã e o mercado brasileiro despencava junto com os demais ativos de risco globais, a Verde Asset, de Luis Stuhlberger reduziu ainda mais sua exposição à bolsa local. Mas só para voltar mais tarde. Já com a turbulência instalada e os ativos brasileiros pressionados, a gestora voltou às compras.

O pano de fundo da decisão é um mercado que, na avaliação da própria gestora, sofreu uma correção “majoritariamente técnica, com redução de fluxos.” Em outras palavras: a queda não refletia uma deterioração dos fundamentos, mas um ajuste de posições num momento de incerteza. Para a Verde, isso significou um ponto de entrada.

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A janela surgiu após o fechamento do Estreito de Ormuz para petroleiros fazer o barril do petróleo disparar como “poucas vezes visto na história”, disse a Verde em carta mensal. O choque derrubou ações, pressionou câmbio e jogou os juros futuros para cima no mundo todo.

No Brasil, o efeito foi amplificado pelo fato de que os ativos vinham sem gordura. Ações, câmbio e taxas de juros estavam precificados sem margem para absorver surpresas. A correção veio rápida e intensa.

A visão da Verde sobre o Brasil não ignora os riscos. A casa reforça que escândalos políticos trazem “preocupação com deterioração institucional” e aponta que o ciclo eleitoral “começa, para valer, em breve.” Os ventos externos ditam a direção de curto prazo, mas o ambiente doméstico adiciona uma camada de incerteza que a gestora não descarta.

A aposta na bolsa brasileira, feita no meio da turbulência, ainda vai se provar ou não. Mas o movimento já está registrado, e o timing, por ora, parece ter sido favorável: no fechamento desta segunda, o Ibovespa saltava mais de 1,3%, passando dos 181.800 pontos, após Trump afirmar à CBS que a guerra contra o Irã “está praticamente concluída.”

A volta à bolsa brasileira não foi o único ajuste. A Verde ajustou o portfólio contando uma história coerente sobre o momento do mundo: o dólar perde força, os emergentes ganham espaço, e o Brasil, apesar do ruído, faz parte dessa equação.

No livro de moedas, a gestora manteve o renminbi chinês, incluiu o iene japonês na cesta contra o dólar, reduziu o euro e manteve opções de compra no real. Na renda fixa local, seguiu comprada em juro real. Nos EUA, manteve aplicação em juro real e posição comprada em inflação implícita. A posição em ouro foi mantida, assim como a alocação de crédito.

O fundo encerrou fevereiro com alta de 1,44%, contra 1,00% do CDI no período. No acumulado do ano, 4,51% ante 2,17% do benchmark. O book de ações foi responsável por 1,62 ponto percentual do resultado acumulado em 2026, o maior contribuidor individual do fundo no período. As perdas vieram de crédito, que subtraiu 0,40 ponto percentual no acumulado do ano.

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