17 de abril de 2026

​WEG: XP projeta “ventos contrários” e reduz projeções para companhia; WEGE3 cai 

Corretora projeta retração nos lucros e na receita da companhia em 2026 diante da valorização do Real e de uma base de comparação difícil no primeiro trimestre
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As ações da WEG (WEGE3) operam em queda na sessão desta terça-feira (14), acompanhando o movimento de revisão da XP Investimentos, que passou a ter uma visão mais cética para a fabricante de motores elétricos e vendo ventos contrários se acumulando.

Às 12h30 (horário de Brasília), os ativos recuaram 2,02%, cotados a R$ 50,99, refletindo o ceticismo do mercado quanto à força do crescimento da companhia no curto prazo diante de um cenário cambial menos vantajoso.

A XP aponta que, após a valorização recente de 14% das ações em relação às mínimas, a “assimetria positiva” que justifica o otimismo desapareceu. “Passamos a enxergar riscos crescentes de queda para as ações”, afirma o relatório, pontuando que o preço atual está próximo ao limite superior do que a corretora considera justo, com um preço-alvo que implica uma desvalorização potencial de cerca de 8% frente aos níveis atuais.

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De acordo com o relatório, a corretora passou a enxergar os riscos à luz de:

Resultados do 1T26 esperados mais fracos;Crescimento mais conservador em 2026; e Incertezas nos mercados externos.

Resultados do 1T26

Os analistas da XP projetam que o primeiro trimestre de 2026 deve ser relativamente fraco para a WEG. A corretora espera que a receita líquida fique aproximadamente em R$ 9,7 bilhões, o que simboliza uma queda de 4% na comparação anual. 

Além disso, o desempenho deve ser impactado pela sazonalidade negativa de início de ano, assim como por uma base de comparação difícil no segmento doméstico de Geração, Transmissão e Distribuição (GTD).

Apesar da queda na receita, a XP espera que a lucratividade continue resiliente. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado deve atingir uma margem de 22,0%, sustentada por um mix de produtos mais rentável e iniciativas de preços que ajudam a compensar a volatilidade das tarifas externas. 

O lucro líquido projetado para o trimestre é de R$ 1,5 bilhão, o que representaria um recuo de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Câmbio

O principal “vento contrário” identificado pelos analistas é a valorização da moeda brasileira frente ao dólar. Segundo o relatório, a WEG é uma empresa estruturalmente exportadora e com forte receita em moeda estrangeira, e com a queda da paridade cambial, a companhia tende a sofrer.

A XP revisou sua premissa média de câmbio para o biênio 2026-2027 (de um intervalo de R$ 5,40-5,70 para R$ 5,20-5,35), o que resultou em um corte de 3% a 4% nas estimativas de lucro líquido para o período.

“Nossas estimativas de lucro líquido passam a ficar 4% a 7% abaixo do consenso de mercado, abrindo espaço para novas revisões negativas caso a força do Real persista”, diz o relatório.

O crescimento da receita para 2026 foi revisado para patamares mais conservadores, em torno de 5%, com uma aceleração esperada apenas para o segundo semestre. A expectativa de melhora está atrelada às novas capacidades de Transmissão e Distribuição (T&D), especialmente na unidade de Betim (MG).

Valorização

Mesmo com os desafios macroeconômicos, as ações da WEG acumulam alta de 8% no ano até o fechamento anterior de segunda-feira (13), o que levou os múltiplos de negociação a patamares mais altos. 

Atualmente, o papel negocia com uma relação Preço/Lucro (P/L) entre 33 e 29 vezes para os próximos dois anos, voltando a apresentar prêmio em relação aos seus pares globais.

A XP conclui que, embora a execução da WEG permaneça consistente e a volatilidade dos lucros seja baixa, a combinação de um valuation exigente e incertezas tarifárias nos mercados externos torna o perfil de risco-retorno menos atrativo. 

A expectativa é que o retorno ao crescimento de dois dígitos (na casa de 15% a 17%) ocorra apenas em 2027-2028, apoiado pela expansão das capacidades de T&D tanto no Brasil quanto no exterior.

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