Forte rali da Bolsa Brasileira criou uma divergência entre os nomes que se beneficiam do fluxo estrangeiro e aqueles que não se beneficiaram
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Em relatório em que elevou a projeção para o Ibovespa para o fim do ano, a XP avalia que o forte rali da Bolsa Brasileira nos últimos meses criou uma divergência entre os nomes que se beneficiam do fluxo estrangeiro e aqueles que não se beneficiaram. Embora essa tendência possa persistir no curto prazo, a corretora acredita que, em algum momento, o mercado deve migrar para um “trade de convergência”, buscando nomes que ficaram para trás.
A intensificação da rotação global para fora de ativos dos EUA e a tese do dólar debasement (desvalorização estrutural da moeda americana no longo prazo, seja por política monetária mais expansionista ou aumento do endividamento) desencadearam um rali histórico nas ações brasileiras, alimentado por fluxos estrangeiros. Em janeiro, por exemplo, investidores estrangeiros registraram a maior entrada mensal da série histórica, cerca de R$ 27,7 bilhões.
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Além disso, esse forte fluxo de entrada foi amplamente impulsionado por fluxos passivos, como evidenciado pelo recente salto nas entradas no ETF EWZ. Assim, os principais beneficiários desses fluxos passivos têm sido os maiores componentes do índice, como Petrobras (PETR4, +27,6% no ano) e Vale (VALE3, +22,9%), que abriram um gap de performance em relação ao restante do índice.
“Porém, não vemos mudança nos fundamentos que justifique um desempenho superior dos principais pesos do índice”, comenta a XP.
Olhando para o volume médio negociado diário (ADTV), como era esperado, os setores que mais se beneficiaram desses fluxos foram os de commodities, especialmente Metais & Mineração e Óleo & Gás. Em contraste, Properties de Renda, Agronegócio e Telecomunicações registraram as maiores saídas líquidas no período.
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Entre os 10 nomes com maiores entradas de estrangeiros nos últimos três meses, Metais & Mineração (VALE3, CMIN3, USIM5) e Óleo & Gás (PRIO3, VBBR3, BRAV3)
novamente se destacam como os setores com maior representatividade. Entre as large caps, Banco do Brasil (BBAS3) é outro nome relevante na lista. No outro extremo, varejistas (CEAB3, AZZA3) se destacam entre os nomes com maiores saídas, junto com ações sensíveis a fatores globais específicos, como TOTS3, que tem sido pressionada pela venda generalizada global em ações de software.
Dados reforçam a leitura
A XP avalia que os dados recentes de performance e valuation reforçam a leitura de um mercado brasileiro ainda fortemente influenciado por fatores macroeconômicos e pelo fluxo de capital estrangeiro.
Segundo a casa, a forte onda de entrada de recursos externos gerou distorções em diversas métricas. A dispersão do Ibovespa, medida pelo desvio padrão dos retornos das ações que compõem o índice, permanece em níveis historicamente baixos, embora tenha começado a subir gradualmente nas últimas semanas, sinalizando leve aumento na diferenciação entre papéis.
No campo de valuation, o cenário é mais heterogêneo. Os maiores setores do índice, como Bancos, Metais e Mineração, Óleo e Gás e Utilities, estão negociando acima de suas médias dos últimos três anos. Por outro lado, segmentos mais ligados à economia doméstica, como Educação, Varejo e Saúde, ainda operam com desconto relevante em relação ao histórico recente.
A XP destaca ainda que a performance setorial e por fatores no acumulado do ano reforça a percepção de um mercado guiado por variáveis macro e sustentado, em grande medida, por fluxos passivos de investidores estrangeiros. Há uma divergência expressiva de retorno entre o Ibovespa e o índice de small caps, além da liderança de Commodities e do setor Financeiro, enquanto ações cíclicas domésticas ficaram para trás.
De acordo com relatório recente de fatores da casa, o ambiente atual, caracterizado por alta volatilidade e tendência de alta, tem favorecido estratégias de momentum, que despontam como o principal fator de desempenho em 2026 até o momento.
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Oportunidades
Dado esse pano de fundo, a XP Investimentos espera que a divergência atual diminua com o tempo, à medida que o mercado migra, aos poucos, de um ambiente guiado por fluxo e por visão top-down para um “trade de convergência”. Nesse cenário, investidores tendem a buscar nomes que ficaram para trás e que ainda oferecem valuations atrativos e fundamentos sólidos.
No curto prazo, porém, a XP pondera que, enquanto o fluxo estrangeiro seguir forte, os papéis mais beneficiados por essas entradas devem continuar apresentando desempenho superior.
A instituição analisou seu universo de cobertura para identificar empresas que, mesmo após a recente alta do mercado, ainda negociam a preços considerados atraentes e mantêm fundamentos robustos. Os critérios adotados foram: recomendação de compra, P/L de três anos abaixo de 0,5, momentum de lucros em seis meses acima da mediana do universo analisado e relação dívida líquida/EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) estimada para 2026 inferior a 2,0 vezes.
Segundo a XP, dois perfis se destacam nesse grupo. O primeiro reúne ações cíclicas que recentemente tiveram desempenho inferior ou em linha com o Ibovespa, mas que exibem melhora no momentum de lucros e valuations descontados. O segundo inclui papéis cuja performance foi mais impactada por fatores idiossincráticos, como Aura Minerals (AURA33) e Totvs (TOTS3).
Por outro lado, a XP também mapeou ações que registraram forte valorização recente impulsionada por fluxo estrangeiro e que hoje negociam com múltiplos significativamente acima das médias históricas. Os critérios considerados foram: desempenho superior ao Ibovespa no ano, z-score de P/L de três anos acima de 1,5 e entrada de recursos estrangeiros em três meses superior a 100% do volume médio diário negociado.
Essa lista é composta majoritariamente por large caps e empresas ligadas a commodities que passaram por um re-rating relevante, como Vale (VALE3), Banco do Brasil (BBAS3), Petrobras (PETR4), PRIO (PRIO3) e Axia (AXIA6).
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